Portugal desperdiça quase nove piscinas olímpicas de água por hora PG

Portugal desperdiça quase nove piscinas olímpicas de água por hora

Portugal desperdiça quase nove piscinas olímpicas de água por hora. Em 2024, o país perdeu mais de 187,3 milhões de metros cúbicos (m³) de água tratada. A maior parte dessa água se perde no trajeto até as casas dos clientes, no serviço em baixa, que registra 166 milhões de m³ de perdas.

A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) também estima que o problema seja ainda maior quando se somam os 78 milhões de m³ de afluências indevidas. Nesse caso, águas pluviais entram nas redes de esgoto e seguem para tratamento, o que aumenta o desperdício e os custos operacionais.

No total, esse desperdício custa cerca de 158 milhões de euros por ano ao país.

“Importa salientar que o potencial de poupança associado às perdas reais permitiria abastecer cerca de 2,8 milhões de habitantes num só ano. Na segunda perspetiva, o potencial de poupança, em 2024, ascenderia a cerca de 157,9 milhões de euros (73,6 milhões de euros, associado aos gastos com a aquisição de água em alta para abastecimento público, que corresponde às perdas na rede de distribuição, e 84,3 milhões de euros, associado aos gastos com o tratamento em alta das afluências indevidas nas ETAR)”, como pode ler-se no relatório de caracterização do setor de águas e resíduos da ERSAR, divulgado esta sexta-feira pela reguladora do setor.

Das 214 entidades gestoras que distribuem a água por casas, empresas e serviços, 60 têm perdas de água muito elevadas, 46 também apresentam uma qualidade de serviço mediana e há 87 com bom desempenho nesta área. O abastecimento de água é maioritariamente assegurado por câmaras e por serviços municipalizados e intermunicipalizados (156 entidades gestoras).

Contam-se, ainda, 24 serviços concessionados a privados e 34 sob gestão delegada em empresas municipais ou intermunicipais e em parceria com o Estado.

Em declarações à Lusa, a presidente do conselho de administração da ERSAR, Vera Eiró, destaca o indicador da água não faturada e de perdas de água como os aspetos mais negativos, “que poderia melhorar substancialmente”.

Bem como o indicador de conhecimento das infraestruturas, que é “a porta da boa gestão” e a partir da qual outros indicadores irão melhorar. Já Susana Rodrigues, diretora do departamento de qualidade da ERSAR, dá conta de que a água não faturada – que inclui perdas reais, perdas por avarias, por fraudes e por faturas por pagar.

Além disso, a água que é usada para consumo pelo universo municipal e, por isso, não é paga – mantém-se próximo dos 27%.

O relatório da ERSAR mostra que houve uma melhoria de décimas na percentagem de água não faturada, passando de 26,9% em 2023 para 26,5% em 2024. Há uma evolução positiva nos últimos cinco anos, contudo têm sido melhoras muito ligeiras. Neste parâmetro, praticamente todo o Portugal continental está no vermelho (a qualidade de serviço é má) e sobram algumas ilhas no Litoral, no Interior e no Algarve com um bom desempenho.

“Em 2024, a água não faturada pelas entidades gestoras que prestam o serviço abastecimento de água em alta, atinge 34,1 milhões de metros cúbicos (+4,3 % face ao ano anterior). Nas entidades gestoras que prestam o serviço de abastecimento de água em baixa, a água não faturada atinge 224,0 milhões de metros cúbicos (-0,7 % face ao ano anterior)”, especifica-se no relatório.

Portugueses pagam 29,45 euros por mês

Em média, a fatura da água em Portugal é de 29,45 euros por mês em 2024, o que baixou face a 2023. Nesse ano, era de 30,09 euros.

No entanto, a ERSAR alerta para uma:

“Amplitude significativa no valor da fatura mensal suportada pelos consumidores. Decorrente da grande heterogeneidade nos valores praticados pelas várias entidades gestoras”.

A regulação económica continua a ser uma preocupação da ERSAR. Entendem que o setor continua com tarifários demasiado baixos para os custos dos serviços, pelo que não há capacidade de investimento, por exemplo, na inspeção de condutas.

Em 2024, a maioria das entidades gestoras não recuperou custos, especialmente serviços autárquicos. A cobertura de gastos em relação aos resíduos urbanos é o maior problema.

Por outro lado, a qualidade da água da torneira mantém-se elevada. Vera Eiró indica que o aspeto mais positivo do relatório é o indicador-chave da qualidade da água para consumo humano, que se tem mantido nos 99%.

O documento especifica que 97% dos portugueses tinham, no final de 2024, acessibilidade física ao abastecimento de água no continente. Contudo, nem todos aderiram ao serviço. Cerca de 90% tinham água da companhia em casa.

Muitos habitantes continuam a preferir consumir água de poços e furos próprios. Essa prática pode representar um perigo devido à possível contaminação da água, seja no abastecimento, seja nas águas residuais. O alerta foi feito por Susana Rodrigues.

Fonte: JN


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