Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) no Algarve. PARA ONDE VAMOS PG

Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) no Algarve. PARA ONDE VAMOS?

Não haverá aterros e alargamentos que cheguem. É o expectável enquanto não forem radicalmente alterados os modelos de recolha, deposição e tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) no Algarve.

As entidades responsáveis — ALGAR, AMAL e autarquias — têm de ACORDAR, de uma vez por todas, para o enorme problema ambiental, social e sanitário que têm (e que todos temos) em mãos na região algarvia.

Está a decorrer a Consulta Pública (CP) do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do Aterro Sanitário do Sotavento do Algarve, até ao próximo dia 4 de fevereiro.

O projeto prevê o alargamento de mais uma “célula” de receção de RSU. Recorde-se que procedimento idêntico ocorreu, num passado recente, com o Aterro Sanitário do Barlavento, confirmando uma estratégia repetida e falhada: continuar a alargar aterros em vez de resolver o problema estrutural da gestão dos resíduos.

Foi neste contexto que a Almargem realizou, no passado dia 29 de janeiro, na Cortelha, uma sessão de informação e apoio à participação da população local e regional nesta Consulta Pública.

O diagnóstico, como já era sabido — e infelizmente expectável — é grave, perturbador e revelador de uma situação próxima do colapso na recolha e tratamento de RSU no Algarve.

As populações que vivem nas imediações dos aterros são as mais prejudicadas. Estão desesperadas, cansadas e profundamente desiludidas.

Por um lado, com a poluição que sofrem diariamente.

Por outro, com as promessas sistematicamente não cumpridas por parte das entidades responsáveis.

A descrença é tal que muitos residentes já não acreditam que a participação nesta Consulta Pública consiga alterar o que quer que seja na realidade que vivem todos os dias. Alguns admitem mesmo recorrer a outras formas de luta mais drásticas.

Os impactos relatados são múltiplos e severos: circulação constante de veículos pesados atravessando a aldeia da Cortelha; poluição das linhas de água; maus cheiros intensos e persistentes; plásticos e papel espalhados por quilómetros ao redor.

O cenário é desolador.

“Até o motocross não se aguentou”, lamentam os moradores.

O diagnóstico está feito e há muito identificado, como o comprovam as recentes queixas apresentadas em Bruxelas por organizações congéneres e as inúmeras notícias publicadas ao longo dos últimos anos.

Persistem situações claramente ilegais e inaceitáveis, nomeadamente: a deposição contínua de matéria orgânica em aterro, sem triagem prévia; a compactação dos RSU a funcionar de forma ineficiente ou inexistente;

uma taxa de deposição em aterro no Algarve que ronda os 81,9%, muito acima da média nacional (cerca de 54%) — ela própria já inadmissível — e em claro incumprimento dos compromissos assumidos por Portugal perante a União Europeia.

As entidades responsáveis — autarquias, AMAL e a empresa concessionária ALGAR — têm de assumir responsabilidades, pôr a mão na consciência e agir.

Não falta legislação. Não faltam estudos. Não faltam recursos financeiros — que, aliás, pesam de forma significativa nas faturas pagas pelos munícipes algarvios.

Falta ação. Falta visão. Falta coragem política.

Este é o modesto, mas firme, contributo da Almargem para despoletar a mudança urgente que se exige na gestão dos RSU, em defesa das populações e do território.

O Algarve não pode continuar a afirmar-se como região de excelência turística enquanto trata os seus resíduos com práticas indignas de um território europeu do século XXI, com claros laivos de terceiro-mundo.

Fonte: Correio de Lagos


Conteúdos Relacionados

Investigação portuguesa demonstra que formações geológicas profundas podem armazenar energia renovável capaz de alimentar uma cidade

Investigação portuguesa demonstra que formações geológicas profundas podem armazenar energia renovável capaz de alimentar uma cidade

Investigadores do GeoBioTec, da NOVA FCT e do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa acabam de publicar um novo estudo na revista Geoenergy, que demonstra como formações rochosas porosas em profundidade poderão constituir uma das soluções mais promissoras para o armazenamento de energia em larga escala, contribuindo para ultrapassar um dos principais desafios da transição energética: armazenar a eletricidade produzida por fontes renováveis quando a produção excede o consumo.

Leia mais »