Dessalinizadora do Porto Santo aumenta capacidade de produção até ao final do Verão

Dessalinizadora do Porto Santo aumenta capacidade de produção até ao final do Verão

A Central Dessalinizadora do Porto Santo é a única fonte de água potável utilizada para abastecimento público na ilha e prepara-se para aumentar a capacidade de produção para 10.000 metros cúbicos por dia até ao final do verão.

“Só os hotéis consomem cerca de 70% da água que a central produz”, disse à agência Lusa Amílcar Gonçalves, presidente da empresa pública Águas e Resíduos da Madeira (ARM), responsável pela gestão da infraestrutura, localizada junto ao cais da cidade Vila Baleira.

Quando entrou em funcionamento, em 1980, a capacidade de produção da central era de apenas 500 metros cúbicos de água doce por dia. No entanto, atualmente, a unidade já tem condições para produzir 6.500 metros cúbicos por dia. Além disso, até ao final do verão deste ano, a produção vai passar para 10.000 metros cúbicos por dia.

Isso ocorrerá com a abertura de uma nova unidade dessalinizadora (atualmente são duas). Ademais, será também incorporada a quinta galeria de captação de água do mar, reforçando a capacidade do sistema.

A Central Dessalinizadora do Porto Santo foi construída há 46 anos pelo governo madeirense para colmatar a escassez de água naquela ilha. Desde então, a região sempre enfrentou períodos de seca, com precipitação média 75% inferior à da Madeira. Em termos anuais, isso representa cerca de 360 mm/ano.

O executivo regional, então liderado pelo social-democrata Alberto João Jardim, também levou em consideração as previsões de crescimento do turismo. De fato, o setor turístico tornou-se a principal atividade económica do Porto Santo. Atualmente, a população residente é de cerca de 5.200 habitantes. Contudo, nos meses de verão, especialmente em agosto, o número chega a picos de 30.000 pessoas.

“Os 10.000 metros cúbicos por dia vão permitir muita tranquilidade na gestão do abastecimento público da ilha”, disse Amílcar Gonçalves, sublinhando que atualmente estão em curso obras orçadas em mais de 24 milhões de euros, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência, entre investimentos na dessalinização e na rede de distribuição.

A Central do Porto Santo, a única gerida pelo setor público no país, foi uma das primeiras unidades de dessalinização por osmose inversa construídas em todo o mundo e a primeira em território europeu, sendo que esta tecnologia é agora preponderante ao nível internacional.

“À data foi uma solução disruptiva”, observou o presidente da ARM, vincando que as dessalinizadoras da época funcionavam por via térmica, pelo que “houve muita visão [dos governantes] e algum risco”.

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Dessalinizadora do Porto Santo aumenta capacidade de produção até ao final do Verão

Atualmente, a captação é feita em quatro galerias subterrâneas na praia, mesmo à frente da Vila Baleira. Além disso, a água surge naturalmente filtrada, em condição prístina. Isso, por sua vez, atenua os encargos do pré-tratamento. Diferentemente do que ocorre em dessalinizadoras que operam por sugação direta do mar.

Em seguida, a água é armazenada em cisternas e posteriormente dessalinizada por osmose inversa. Ademais, o processo utiliza módulos de membranas enroladas em espiral, montados em vasos de pressão. Nesse sistema, cerca de 60% da água processada é devolvida ao mar. Enquanto isso, os 40% restantes seguem para o processo de mineralização através de brita calcária.

Este passo visa enriquecer a água, pois ao ser dessalinizada perde os minerais, e também é introduzido cloro que garantir mais qualidade e segurança.

“Todas as análises indicam que a água distribuída no Porto Santo é 100% segura. Não houve nenhuma análise fora do padrão”, observou Amílcar Gonçalves.

A partir da central, cujo funcionamento é assegurado por uma equipa de oito elementos, a água é canalizada através de um sistema adutor e de bombagem para 13 reservatórios e depois distribuída ao consumidor numa rede com cerca de 100 quilómetros.

O presidente da ARM explicou que a produção de água doce no Porto Santo tem um custo estimado de 60 cêntimos por metro cúbico, sobretudo decorrente da energia despendida no processo de dessalinização, mas o impacto final no consumidor é semelhante ao total da Região Autónoma da Madeira.

Para atenuar os custos de produção, o Governo Regional decidiu avançar também com o tratamento terciário das águas residuais, canalizando-as depois para rega do campo de golfe da ilha.

“Há um aproveitamento total da água que se retira do mar. Não é desperdiçada. É tratada e aplicada na rega do campo de golfe. É um ciclo virtuoso de aproveitamento da água”, realçou Amílcar Gonçalves.

Em relação ao impacto ambiental, à parte o consumo de energia, o presidente da ARM aponta apenas para a água que retorna ao mar, considerando que apresenta o dobro da salinidade.

“Mas estamos a falar de quantidades que se diluem com facilidade no oceano. Isso não é um problema. A descarga é feita na praia mesmo em frente à cidade, mas nunca reparámos que houvesse situações de impactos no habitat marinho”, disse.

Fonte: DNoticias

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