Portugal entra no outono com as barragens a 77% da capacidade total, um nível que sustenta uma perspetiva confortável para o próximo ano hidrológico. O quadro contrasta com a pressão hídrica em vários países da União Europeia e reflete o efeito duradouro das tempestades de janeiro e fevereiro de 2026 sobre as reservas nacionais.
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Reservas acima da média em grande parte do país
Conforme noticiou o The Portugal Post, a Agência Portuguesa do Ambiente indica que o país está “muito bem preparado” para o próximo ano, depois de as chuvas intensas do início de 2026 terem elevado as albufeiras para níveis excecionais.
Em fevereiro, os dados da APA mostravam 12.610 hectómetros cúbicos armazenados, equivalentes a 95% da capacidade total, após um inverno marcado por cheias e danos materiais em várias zonas do país.
O presidente da APA, Pimenta Machado, associa diretamente essa recuperação às sucessivas tempestades de janeiro e fevereiro. A descida da média de 92% em maio para 77% em setembro enquadra-se no padrão sazonal habitual de verão e não sinaliza, segundo a leitura apresentada, uma deterioração anormal das disponibilidades.
O boletim de setembro da APA mostra ainda que a maioria das bacias hidrográficas continua acima das médias históricas de setembro, numa série que vai de 1990/91 a 2023/24.
As exceções são Lima e Mondego, que seguem abaixo dos níveis típicos para esta época, embora sem atingirem patamares de crise, enquanto entre 31 de agosto e 7 de setembro todas as bacias monitorizadas registam alguma redução de volume, em linha com o consumo estival.
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Algarve ganha margem e investimento mantém-se
O Algarve destaca-se pela inversão do seu quadro hídrico. Em janeiro de 2026, a capacidade média das barragens da região, de 87%, supera a média nacional de 83% pela primeira vez, e a barragem da Bravura, historicamente associada à escassez, atinge 99% em maio.
Para famílias e empresas, este nível de armazenamento reduz a probabilidade de restrições imediatas ao consumo, salvo um outono e inverno anormalmente secos. O alívio também dá maior previsibilidade à agricultura, sobretudo no Alentejo, ao mesmo tempo que a pressão estrutural no Algarve, ligada ao turismo, à limitação de recursos naturais e à vulnerabilidade climática, continua a justificar a execução do Plano Regional de Eficiência Hídrica, com 237,4 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência.
Num horizonte mais longo, a estratégia nacional de gestão da água “Água Que Une”, lançada em março de 2025 e aprovada em junho de 2026, mobiliza cerca de 5 mil milhões de euros para reforçar a segurança hídrica.
O programa inclui novas barragens, interligações entre sistemas, reabilitação de redes e maior reutilização de águas residuais, enquanto a ENAAC 2030 projeta uma redução de 6% na disponibilidade de água até 2040 e um aumento de 26% no consumo, reforçando a necessidade de transformar a folga atual em resiliência estrutural.
Na nossa publicação anterior, acompanhámos o relançamento do antigo The Shores Residences, na Praia do Ancão, como Azuya Seed, sob controlo do grupo Arrow.
O artigo detalhou o investimento de 62,3 milhões de euros, a criação de 21 apartamentos de luxo e o calendário de conclusão até 2028, enquadrando o projeto na expansão do grupo no imobiliário e turismo no Algarve, com novos desenvolvimentos hoteleiros e residenciais na região.
Fonte: Trader Sunion



