Portugal tem 102 processos por infração na transposição de diretivas europeias

Portugal tem 102 processos por infração na transposição de diretivas europeias

Organização ambientalista Quercus afirma que cerca de um terço dos processos ativos são nas áreas de ambiente (21), energia (12) e ação climática (três). E exige propostas imediatas de transposição.

Portugal tem 102 processos de infração em Bruxelas por incumprimento na transposição de diretivas europeias, denunciou esta sexta-feira a Quercus, que exige do Governo propostas imediatas de transposição para evitar sanções financeiras.

Em comunicado, a organização ambientalista Quercus detalhou que cerca de um terço dos processos ativos são nas áreas de ambiente (21), energia (12) e ação climática (três).

“Cerca de 35% dos processos ativos, portanto mais de um terço, dizem respeito a áreas diretamente ligadas à conservação da natureza, à transição energética e à ação climática. Estes números revelam um insuficiente compromisso e investimento político em matérias que são decisivas para o futuro do país, a saúde pública, o equilíbrio ecológico e a qualidade de vida dos cidadãos”, lê-se no comunicado da Quercus.

Em causa está o atraso na transposição para a legislação nacional de diretivas como a que reforça os direitos dos consumidores à reparação de bens, tendo Portugal falhado o prazo para o efeito, o que levou a Comissão Europeia a abrir um processo de infração a 25 de setembro.

A Quercus acrescenta que, nesse mesmo dia, foi também comunicado o incumprimento do Governo português na transposição total da Diretiva reformulada do Hidrogénio e do Gás Descarbonizado (UE) 2024/1788 e na Diretiva Relativa às Emissões Industriais e da Pecuária (UE) 2024/1785.

A primeira diz respeito à “integração de gases renováveis e de baixo carbono, nomeadamente o hidrogénio, assegurando simultaneamente a segurança do aprovisionamento energético e preços acessíveis para todos os cidadãos da União Europeia”, enquanto a segunda “procura tornar mais rigorosas as regras de redução de emissões, (…) reduzir a utilização de substâncias químicas perigosas e criar um novo direito de indemnização por danos para a saúde causados por poluição ilegal”.

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Portugal tem 102 processos por infração na transposição de diretivas europeias

A Quercus aponta ainda o atraso na transposição de outra diretiva, relacionada com o combate ao greenwashing, que impede que os portugueses possam beneficiar dos seus efeitos, em vigor desde 27 de setembro, mas ainda sem enquadramento em Portugal.

“A transposição e aplicação atempada do direito ambiental da União Europeia não é uma mera formalidade administrativa. Estas falhas têm custos reais para os recursos públicos e, em última análise, para os contribuintes”, afirmou a Quercus, dando o exemplo da condenação de Portugal pelo Tribunal de Justiça da União Europeia em março deste ano.

Em causa está o incumprimento nacional de um acórdão relativo às 61 zonas de conservação do país. Por esse motivo, o tribunal europeu aplicou uma multa de 10 milhões de euros. Além disso, determinou uma sanção diária de 41.250 euros “enquanto não estiver plenamente executado” o acórdão.

Por esses motivos, a Quercus exige que o Governo adote medidas imediatas. A organização pede a transposição das três diretivas em atraso que motivaram a abertura de um processo de infração a 25 de setembro. Também defende que o Governo responda à Comissão Europeia dentro dos prazos. O objetivo é evitar que os processos avancem para o Tribunal de Justiça da União Europeia e resultem em eventuais sanções financeiras.

A Quercus pede ainda uma estratégia de acompanhamento da transposição de diretivas. Essa estratégia deverá contar com um calendário público. O objetivo é “pôr fim ao ciclo de atrasos”.

A organização defende também o envolvimento da sociedade civil. Além disso, pede meios humanos e técnicos para reforçar a fiscalização.

A organização ambientalista afirma que continuará “a acompanhar de perto estes processos e a pressionar para que Portugal cumpra os compromissos assumidos”. A Quercus anunciou ainda a compilação de todos os processos de infração ativos num ficheiro de acesso aberto. A iniciativa pretende “reforçar a transparência e o escrutínio público”.

Fonte: Observador 

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