Os ambientalistas mantêm a posição desfavorável à construção da central solar na Beira Baixa. Alertam para a destruição de azinheiras e sobreiros protegidos. Além disso, apontam a perda de habitats e a fragmentação de corredores ecológicos fundamentais para a biodiversidade da região.
Várias organizações ambientais alertaram, esta quinta-feira, para os impactes graves da central solar fotovoltaica Sophia. Apesar de o projeto reformulado ter reduzido a sua dimensão, as organizações defendem que a transição energética não pode ocorrer à custa da natureza.
Num comunicado conjunto enviado à agência Lusa, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a BirdLife, o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) e a Liga para a Proteção da Natureza (LPN) sustentaram que a redução da área ocupada pelos painéis solares não resolve os principais problemas ambientais identificados.
Entretanto, a segunda consulta pública do projeto reformulado terminou na quarta-feira. A central solar fotovoltaica Sophia abrange os concelhos do Fundão, de Idanha-a-Nova e de Penamacor, no distrito de Castelo Branco, na Beira Baixa.
Assim, mesmo após a reformulação do projeto, as organizações ambientalistas mantêm a sua posição desfavorável à construção da central solar.
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Biodiversidade em risco
Alertaram ainda para a destruição de azinheiras e sobreiros protegidos, para a perda de habitats e para a fragmentação de corredores ecológicos fundamentais para a biodiversidade da região.
“Segundo a análise da SPEA-BirdLife, o projeto reformulado poderá implicar o corte ou a afetação de, pelo menos, 2.473 azinheiras e sobreiros, incluindo árvores não contabilizadas pelo promotor ao longo das vedações. Estima-se o corte de, pelo menos, 1.646 árvores protegidas, um aumento de cerca de 07% face ao projeto anterior, apesar da redução da área de painéis”, vincaram.
Argumentaram que um dos aspetos mais preocupantes é a destruição de árvores autóctones protegidas e realçaram que a sua substituição por novas plantações “não permite recuperar estas funções num prazo equivalente à vida útil da central, estimada em 40 anos”.
Projeto foi reformulado
Em setembro, a multinacional britânica promotora da central solar fotovoltaica Sophia reduziu a capacidade instalada do projeto em 34% na reformulação que submeteu à autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).
“Relativamente à capacidade instalada, é feita uma redução de 34%, de 867MWp (Megawatt pico) para cerca de 573MWp. Neste contexto, a área vedada do projeto é reduzida em 32% e o número de núcleos vedados diminui de 44 para 22, uma redução de 50%”, explicou a Lightsource BP na informação disponibilizada à agência Lusa.
O projeto inicial apresentava uma capacidade instalada de 867 MWp.
A área ocupada pelos módulos fotovoltaicos era de 390 hectares. Considerando todas as infraestruturas, a área total do projeto chegava a 435 hectares. Além disso, a área vedada abrangia 1.734 hectares.
Apesar da redução da dimensão da central, os ambientalistas sustentam que o projeto continua a ter “uma enorme pegada ecológica”. A área de implantação integra o Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO. Além disso, está localizada numa região de elevado valor ecológico, entre o Tejo Internacional e as serras da Malcata e da Gardunha.
“A transformação desta paisagem ameaça a conectividade entre áreas naturais e poderá comprometer a sobrevivência de espécies ameaçadas. Entre as aves potencialmente afetadas destaca-se a águia-imperial-ibérica e o cortiçol-de-barriga-branca, classificados como criticamente em perigo, bem como o abutre-preto, o britango e a cegonha-preta”.
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Agricultura e turismo também podem ser afetados
Segundo as organizações subscritoras do documento, os efeitos do projeto não se limitam à biodiversidade.
“A remoção da vegetação, a compactação e a degradação dos solos, a alteração da paisagem e a perda de terrenos com usos agrícolas e florestais terão consequências para as comunidades locais e para atividades económicas como a agricultura, a atividade agropastoril e o turismo de natureza e cultural”, sublinharam.
A SPEA, a BirdLife, o GEOTA e a LPN defenderam que a produção de energia renovável é indispensável para combater as alterações climáticas, mas a sua localização deve respeitar os valores naturais e as comunidades locais.
“A prioridade deve ser dada a áreas já artificializadas ou degradadas, evitando a destruição de habitats de elevado valor ecológico, paisagístico e geológico”.
Fonte: Sic Notícias



