CIMPOR nega qualquer envolvimento no projeto de incineração de resíduos no Algarve

CIMPOR nega qualquer envolvimento no projeto de incineração de resíduos no Algarve

A CIMPOR garante que não está envolvida em qualquer projeto para instalar uma unidade de incineração no Algarve, nem desenvolveu contactos ou diligências nesse sentido.

O esclarecimento surge depois de Telmo Pinto, presidente da Câmara de Loulé, ter manifestado oposição à possibilidade de instalar uma incineradora no concelho. O autarca também se opõe ao reforço da coincineração na fábrica da cimenteira. Nesse sentido, defende que Loulé não pode transformar-se no «forno do Algarve».

Entretanto, num comunicado divulgado esta terça-feira, 3 de novembro, a CIMPOR reagiu às informações sobre eventuais soluções de valorização energética de resíduos na região.

A empresa «esclarece que não tem qualquer envolvimento ou participação em projetos para a instalação de uma unidade de incineração na região».

Além disso, a cimenteira acrescenta que «não promoveu nem mantém quaisquer contactos ou diligências com vista ao desenvolvimento de uma iniciativa desta natureza no Algarve, não participando, direta ou indiretamente, em qualquer projeto nesse sentido».

O esclarecimento foi divulgado um dia depois de o Sul Informação ter noticiado que Telmo Pinto enviou à ministra do Ambiente uma posição oficial da Câmara de Loulé. No documento, o Município manifesta oposição à instalação de uma incineradora ou ao reforço da coincineração na fábrica da CIMPOR, localizada no concelho.

Na carta enviada ao Governo, o autarca socialista considera que a incineração constitui uma «linha vermelha para Loulé». Por isso, exige esclarecimentos sobre a eventual existência de projetos de tratamento térmico de resíduos no território.

«Loulé não é, nem será, um território de disponibilidade ilimitada para receber aquilo que mais ninguém quer», afirma Telmo Pinto.

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CIMPOR nega qualquer envolvimento no projeto de incineração de resíduos no Algarve

O presidente da Câmara recorda que o concelho já acolhe, há mais de duas décadas, o Aterro Sanitário do Sotavento Algarvio, em Salir, e considera que não deve receber novas infraestruturas que aumentem a pressão ambiental sobre o território.

«Já acolhemos o aterro da região há mais de duas décadas, temos ao lado uma dessalinizadora cujos efeitos sobre o nosso mar ainda estão por demonstrar e agora querem que aceitemos queimar o lixo do Algarve. Não», afirma o autarca, na posição enviada ao Governo.

A Câmara manifesta preocupações com as emissões atmosféricas, o aumento do tráfego de veículos pesados, o armazenamento de resíduos, os riscos de incêndio, o consumo de água, o ruído e os efeitos sobre a saúde pública.

Em relação à fábrica da CIMPOR, o Município considera que:

«A licença ambiental que hoje existe para determinadas operações não pode ser lida como um cheque em branco para futuras expansões, nem como autorização política para transformar Loulé no forno do Algarve».

Entre os pedidos dirigidos à ministra do Ambiente está a confirmação formal sobre a existência, ou não, de iniciativas para reforçar o tratamento térmico de resíduos na CIMPOR.

Durante a sua recente visita a Faro, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, salientou que nenhuma solução é rejeitada à partida. Entre as possibilidades, está também a incineração. Ainda assim, a ministra deixou uma garantia: a resposta ao problema dos resíduos no Algarve «será sempre a solução que não tenha impactos negativos para a população que aqui mora e que visita a região».

Na ocasião, Maria da Graça Carvalho falava à entrada da sessão de assinatura de um protocolo. O acordo envolve a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, a Agência Portuguesa do Ambiente e três universidades «de grande nome»: a Nova de Lisboa, a de Aveiro e a do Algarve.

O protocolo prevê a elaboração de um estudo. O objetivo é «ver quais são as melhores soluções, as mais adequadas e as localizações» para substituir os aterros existentes na região. Estas estruturas estão a atingir o seu limite e, além disso, têm fortes impactos ambientais.

Fonte: Alentejo.SulInformação

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