O presidente da APA vai deslocar-se esta tarde a Almada para “falar com o executivo municipal”. O objetivo é avaliar “que ajuda é necessária” para resolver as falhas de água.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, apontou Almada, no distrito de Setúbal, como “o município com maiores perdas de água” na rede de abastecimento. Além disso, admitiu a necessidade de realizar investimentos nas infraestruturas.
“Almada é talvez o município com maiores perdas de água, tem muito acima da média, mais de 35%. Portanto, há uma necessidade de manutenção e de investimento que é importante fazer”, afirmou o governante, em declarações aos jornalistas em Évora, esta terça-feira.
Questionada sobre as falhas de abastecimento que ocorreram em Almada, o ministério realçou que a responsabilidade da situação é do município e dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS).
“Não temos nenhum alerta da Câmara de Almada sobre problemas, nem nenhum pedido”, referiu, deixando que o primeiro contacto, através de telefone, foi feito na segunda-feira pelo vice-presidente, Filipe Pacheco, sobre o licenciamento de novos furos.
Segundo Maria da Graça Carvalho, a presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai deslocar-se esta tarde a Almada para “falar com o executivo municipal para ver que ajuda é necessária” na resolução das falhas. Tanto a APA como o Grupo Águas de Portugal:
“Já se disponibilizaram para ajudar no que por preciso, embora a responsabilidade seja municipal; o Governo central está para ajudar”, assinalou.
Nas declarações aos jornalistas, o ministro disse que a APA vai conhecer que projectos tem o município para a rede de abastecimento e perceber se o problema “está puro e simplesmente na gestão do sistema, se está nas perdas de água”.
“Se é necessário [fazer] obras de perdas de água, porque é que não foram feitas, porque tem sorte de financiamentos nos fundos europeus para perdas de água, como ocorreram no Algarve, em que diminuíram significativamente as perdas de água”, salientou. “Mas, agora, o que interessa é o futuro e ver como é que pode ajudar tanto a APA como as Águas de Portugal”, acrescentou o governante.
A câmara de Almada anunciou que está a diligenciar os licenciamentos de novos furos de captação de água junto da agência. A medida tem como objetivo ser “a solução mais rápida” para colmatar as falhas de abastecimento registadas no concelho.
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Os relatos de falta de água ou de perda de pressão em algumas zonas do município, divulgados nas redes sociais, desencadearam uma petição pública. O documento exige medidas urgentes para minimizar os impactos no concelho e já ultrapassou as quatro mil assinaturas.
No comunicado, a autarquia e os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) confirmaram ainda a ativação do plano de contingência. Além disso, anunciaram a criação de um gabinete de crise para acompanhar a situação.
Este gabinete de crise vai, por exemplo, reduzir a pressão da água na rede entre a meia-noite e as 6h da manhã, em todo o território do concelho. Além disso, vai posicionar camiões-cisterna em zonas críticas. Também vai reforçar as ações de fiscalização nos locais onde está a ser registado um aumento “anormal do consumo de água”. Entre as áreas identificadas estão a Charneca de Caparica, a Sobreda e a Costa de Caparica.
O PSD, que está na oposição no município, já anunciou que vai apresentar um movimento de censura à liderança municipal socialista na Assembleia Municipal. O movimento de censura, mesmo que seja aprovado, não terá caráter vinculativo. Portanto, não produzirá qualquer efeito prático na continuidade do executivo.
No entanto, o presidente da Comissão Política Concelhia de Almada do PSD, e também vereador, Paulo Sabino, espera que a iniciativa sirva como “um olhos abertos” para o presidente da autarquia.
Fonte: Público
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