Relatório sobre as cheias conhecido em 100 dias PG

Relatório sobre as cheias conhecido em 100 dias

APA e Ordem dos Engenheiros estabeleceram acordo para estudo técnico, que incluirá revisão dos modelos de gestão do risco e avaliação da obra hidroagrícola

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Ordem dos Engenheiros (OE) vão apresentar, no prazo de 100 dias, um relatório sobre as recentes cheias no Mondego. O documento focará em diferentes frentes. Entre elas estão a avaliação do que aconteceu e a análise dos modelos de gestão e manutenção.

Além disso, o relatório prevê a reavaliação das infraestruturas. Também abordará a adaptação às alterações climáticas. Por fim, o estudo apresentará contributos para a conservação preventiva.

«Precisamos mesmo de levar a sério o desafio», alertou a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, palavras que seriam reforçadas pela ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, ao pedir rapidez no estudo: «é preciso atuar, no próximo inverno temos de estar preparados».

Na assinatura do protocolo entre APA e OE, Ana Abrunhosa saudou «a cooperação qualificada e o compromisso com soluções técnicas sólidas para desafios cada vez mais exigentes».

Trata-se, afirmou, «de analisar, com auxílio da nossa melhor ciência e engenharia, o recente encadeamento de acontecimentos que culminou com mais uma grande cheia do Mondego, a quarta com semelhante magnitude nos últimos 26 anos».

Ou seja, «tentar compreender a razão do que está a suceder com excessiva frequência, retirar ensinamentos dos erros cometidos e procurar aproveitar a infraestrutura existente, necessariamente reparada, mantida, gerida, concluída e complementada, de forma a aproveitá-la à medida das suas elevadas potencialidades».

Para a autarca, «alguma coisa não está a funcionar como era suposto que funcionasse» e é «indispensável adotar medidas que minimizem os efeitos de futuras situações climáticas adversas».

Ao considerar que «são imperativas intervenções de reparação, reforço e requalificação das infraestruturas existentes. Bem como a avaliação técnica independente da Obra Hidroagrícola do Baixo Mondego, a revisão dos sistemas de monitorização e alerta e a definição de um plano prioritário de intervenção nos diques mais vulneráveis».

Ana Abrunhosa defendeu ainda «um plano de manutenção regular da infraestrutura, acautelando a desmatação regular dos leitos, a reposição regular das cotas do fundo e a manutenção estrutural dos diques». Assim como a conclusão das «obras de regularização da foz dos afluentes».

Relatório sobre as cheias conhecido em 100 dias

Na cerimônia, realizada em Coimbra, ele defendeu que a sociedade transforme «a experiência difícil das enchentes» em aprendizagem estruturada, em planejamento mais robusto e em maior capacidade de antecipação.

É preciso proteger os agricultores, salvaguardar infraestruturas, assegurar o funcionamento da indústria, reduzir vulnerabilidades e reforçar a segurança das populaçõe, afirmou, ao destacar ainda a necessidade de se reformular a estrutura de gestão hidráulica do Mondego.

Maria da Graça Carvalho tem a mesma visão, com a ministra do Meio Ambiente ressaltando que o relatório deve fazer menção à questão da manutenção, com indicação dos pontos mais importantes para manutenção em todo o sistema.

Foi igualmente pedido à OE que faça «uma atualização à própria infraestrutura, do ponto de vista da engenharia ou do ponto de vista da obra» , para que seja «mais resistente às intempéries que tivemos agora e que nada nos diz que não possamos ter outra vez para o ano».

O documento, que terá a contribuição de «cinco especialistas» , também se debruçará sobre o que aconteceu. «Queremos informações concretas do que é que precisa ser feito, qual é a obra, para começarmos logo a preparar os procedimentos para lançar a obra, caso ela seja necessária», sustentou.

«Por que rompeu o dique no mesmo lugar, de um lado do rio, no mesmo lugar que rompeu em 2001, do outro lado, que é exatamente por debaixo da ponte. É preciso entender a interação do rio com a ponte, para ver se precisamos reforçar alguma questão» , acrescentou Maria da Graça Carvalho, já depois de notar que a data limite do estudo é de 100 dias.

De qualquer maneira, acrescentou, «pedimos à Ordem dos Engenheiros que, à medida que vão tendo resultados, nos vão informando, para que não se esteja à espera de 100 dias para ter os resultados todos».

Homologado pela ministra, o protocolo foi assinado pelo presidente da APA e pelo bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Almeida Santos .

Canal de rega do Mondego pronto em maio

«Ninguém nos perdoaria se não fizermos o trabalho como deve ser feito», disse o presidente da APA durante a cerimônia protocolar. Diante dos agricultores presentes, José Pimenta Machado garantiu que o órgão não medirá esforços para garantir água em maio para as campanhas agrícolas.

O canal de irrigação do Mondego, reforçou depois a ministra do Ambiente, deve ficar pronto em 1º de maio, se não se mostrarem imponderáveis.

«Vamos fazer e começar desde já o canal de rega do Mondego para que os agricultores no dia 1 de maio possam trabalhar e preparar todo o ano e todas as suas culturas, nesta que é uma região fértil de agricultura», garantiu a governante, ao explicar que o Ministério do Ambiente já disponibilizou uma verba, proveniente do Fundo Ambiental, para a APA executar o canal de rega.

Maria da Graça Carvalho ressaltou ainda que, ao lado dos agricultores, que «de certeza estarão acompanhando os trabalhos da APA, não deixando que nada se atrase», também ela estará atenta a que «tudo fique pronto no dia 1 de maio».< /span>

Fonte: Diario Coimbra


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