Comissão Europeia corta burocracia ambiental para aliviar custos às empresas

Comissão Europeia corta burocracia ambiental para aliviar custos às empresas

Bruxelas propôs hoje um pacote de simplificação que torna mais rápidos os licenciamentos, reduz obrigações e promete poupanças anuais de mil milhões de euros.

A Comissão Europeia apresentou esta quarta-feira um pacote legislativo para simplificar normas ambientais e reduzir a carga administrativa sobre as empresas, sem alterar, porém, as metas ambientais. A proposta, que incide sobre temas como as emissões industriais, economia circular ou avaliações ambientais, quer encurtar processos e acelerar investimentos em setores considerados estratégicos, nomeadamente o digital, das matérias-primas críticas e da habitação acessível.

Segundo Bruxelas, é expectável que as empresas consigam poupar cerca de mil milhões de euros por ano, aumentando para quase 11 mil milhões o total das poupanças anuais já estimadas através de anteriores iniciativas de simplificação. A meta do atual executivo é alcançar, até 2029, uma redução de 37,5 mil milhões de euros em custos administrativos.

Entre as medidas mais relevantes está a agilização das avaliações ambientais necessárias para a emissão de licenças para garantir que os promotores de projetos passam a ter procedimentos mais rápidos, pontos únicos de contacto e processos digitalizados.

A revisão das regras sobre emissões industriais dá mais margem de manobra às empresas na implementação de sistemas de gestão ambiental, com o fim da obrigação de apresentar planos de transformação. Além disso, diz a Comissão, aumenta o prazo de preparação destes sistemas e deixa de ser necessário realizar auditorias independentes. Os agricultores serão dispensados de várias obrigações de reporte, no sentido de eliminar duplicações e simplificar o enquadramento aplicável às explorações biológicas.

Também o regime de responsabilidade alargada do produtor será temporariamente aliviado para empresas europeias, que vão deixar de ter de nomear representantes autorizados em cada Estado-membro onde vendem produtos por ser uma exigência que, segundo o comunicado, tornava as operações mais caras.

Teresa Ribera, vice-presidente executiva responsável pela transição limpa e competitiva, sublinha que o pacote “estabelece um equilíbrio cuidadoso, facilitando o funcionamento das empresas sem comprometer os objetivos essenciais de proteção ambiental e da saúde”. Já Valdis Dombrovskis, comissário para Economia e Produtividade, afirma que a proposta mostra que simplificar é “reduzir encargos e manter padrões elevados”.

O pacote agora apresentado resultou de seis propostas legislativas e de uma consulta pública que reuniu mais de 190 mil contributos desde julho. Bruxelas promete agora continuar a identificar áreas para simplificação, incluindo a revisão da Diretiva Quadro da Água e a futura Lei da Economia Circular, prevista para 2026. As propostas vão ser ainda analisadas pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho.

Fonte: Jornal de Negocios


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