Associação ambientalista destaca incêndios, retrocessos legais e ausência de estratégia hídrica sustentável como principais falhas do ano
A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza divulgou o seu tradicional balanço anual sobre os principais acontecimentos ambientais em Portugal, num ano que marca o seu 40.º aniversário. O ano de 2025 ficou marcado por calor extremo, incêndios devastadores e retrocessos na legislação ambiental, mas também por vitórias judiciais e novos programas ecológicos.
Piores factos ambientais de 2025
1. Verão histórico e devastador
Portugal enfrentou o verão mais quente dos últimos 94 anos, com temperaturas médias 1,55°C acima do habitual e um recorde de 46,6°C em Mora. O país sofreu o 4.º pior ano de área ardida, com mais de 269 mil hectares destruídos pelo fogo, revelando os riscos das monoculturas florestais, como o eucalipto.
2. Estratégia “Água que Une”: foco no regadio intensivo
Apesar de anunciada como um compromisso para a gestão sustentável da água, a Quercus critica a estratégia por favorecer modelos agrícolas insustentáveis, como o regadio intensivo, deixando em segundo plano a água para consumo humano.
3. Enfraquecimento da legislação ambiental europeia
A nível europeu, a associação denuncia um “recuo civilizacional” com a isenção de mais de 80% das empresas de obrigações ambientais e a desregulamentação de pesticidas e novos OGM, promovendo a competitividade em detrimento da qualidade do ar, da água e da saúde pública.
4. COP30 falha em eliminar combustíveis fósseis
Contrariando compromissos anteriores, o roteiro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis foi excluído do acordo final da COP30, gerando críticas da Quercus que alerta para o risco de inversão no combate à emergência climática.
Melhores factos ambientais de 2025
1. Embargo à Barragem do Pisão
A justiça embargou as obras da Barragem do Pisão, no Alto Alentejo, após pareceres favoráveis às ONGs, incluindo a Quercus. O tribunal considerou nula a avaliação de impacto ambiental e reconheceu os danos irreversíveis ao montado de sobro e azinheira.
2. Mobilização contra megacentrais fotovoltaicas
A proposta da Central Solar Fotovoltaica de Sophia, abrangendo o Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova, teve quase 13 mil participações em consulta pública, evidenciando o envolvimento cívico contra projetos que colocam em risco ecossistemas e biodiversidade.
3. Criação do programa “Floresta Azul”
Aprovado o programa de restauro de pradarias marinhas, essenciais para captura de carbono e resiliência climática. Um passo relevante para proteger ecossistemas costeiros e promover a chamada “economia azul”.
4. COP30 aprova Mecanismo de Ação de Belém
Apesar de críticas à COP30, a criação do Mecanismo de Transição Justa (BAM) representa um avanço histórico nos direitos humanos climáticos, colocando a justiça social no centro da ação climática global.
Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) entra em vigor a 10 de abril, com 2.500 máquinas em grandes superfícies, permitindo aos consumidores devolver embalagens.
Plano Nacional de Restauro da Natureza avança, com foco em zonas degradadas e áreas protegidas.
União Europeia recua parcialmente na desregulação dos pesticidas, mas Quercus alerta para ameaças à saúde e ao ambiente.
Em abril, a Conferência da Colômbia poderá relançar o debate sobre a eliminação dos combustíveis fósseis fora da COP.
O Tratado do Alto Mar entra em vigor em janeiro, visando a proteção da biodiversidade em águas internacionais.
A Quercus promete manter a vigilância ambiental ativa em 2026, apelando à participação da sociedade para garantir que o progresso climático e ecológico não seja travado por interesses económicos ou políticos.
Fonte: Mais Ribatejo



