Consultora comparou efeitos nos 19 maiores bancos internacionais e assinala divergências entre os dois grandes modelos regulamentares.
A regulamentação retira 1,3 biliões de euros à capacidade de financiamento do setor bancário europeu. Com isso, a desvantagem competitiva dos bancos da União Europeia (UE) face aos norte-americanos pode aumentar, segundo relatório da consultora Alvarez & Marsal.
De acordo com o relatório “Bank Deregulation Primer”, o reforço dos requisitos de capital na UE poderá reduzir em 1,3 biliões de euros a capacidade de balanço do setor bancário europeu. Consequentemente, a medida poderá limitar o financiamento da economia e a capacidade dos bancos europeus de competir com os concorrentes norte-americanos.
A capacidade de balanço no setor bancário refere-se à capacidade de um banco gerir riscos financeiros e operacionais. Ao mesmo tempo, permite manter uma estrutura de capital adequada para absorver perdas e apoiar as operações.
Para chegar às conclusões, a consultora analisou o impacto das alterações regulamentares nos 19 maiores bancos internacionais. A análise comparou os efeitos previstos sobre capital, capacidade de financiamento, rentabilidade e competitividade nos Estados Unidos, na UE, no Reino Unido e na Suíça.
Segundo a Alvarez & Marsal, as principais jurisdições passaram a adotar estratégias cada vez mais divergentes após anos de convergência regulamentar na sequência da crise financeira de 2008.
Enquanto os Estados Unidos avançam para flexibilizar parte do quadro regulamentar, o Reino Unido também revisa as regras aplicáveis ao setor. Por outro lado, a Europa mantém uma abordagem mais exigente em relação aos requisitos de capital.
Nesse contexto, a UE implementa o rácio de capital CET1 fully loaded restated (CRR3), regulamento europeu que estabelece os requisitos de capital aplicáveis aos bancos. Além disso, aplica as normas internacionais de Basileia III.
A aplicação do CRR3 deverá aumentar em 109 pontos base as necessidades de capital dos grandes bancos europeus analisados. Além disso, os sete maiores bancos terão de mobilizar cerca de 39 mil milhões de euros em capital adicional para cumprir os novos requisitos regulamentares.
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Regulamentação retira capacidade de financiamento dos bancos europeus
Em sentido contrário, as medidas de desregulamentação em discussão nos Estados Unidos poderão libertar cerca de 160 pontos base de capital CET1, medida de capital de maior qualidade dos bancos. Além disso, poderão reduzir em 113 pontos base os requisitos de alavancagem.
Na prática, isso representaria aproximadamente 2,5 biliões de dólares em capacidade adicional. Os bancos poderiam utilizar esses recursos para financiar empresas e famílias, reforçar a atividade nos mercados de capitais e melhorar a rentabilidade.
No Reino Unido, onde também decorre uma revisão regulamentar, as alterações poderão libertar cerca de 75 pontos base de capital CET1. Além disso, poderão gerar até 400 mil milhões de dólares em capacidade adicional de balanço.
Diante desse cenário, o relatório sustenta que a divergência entre os modelos regulamentares já começa a refletir-se na capacidade de crescimento, na rentabilidade e na atratividade dos bancos junto dos investidores.
Na Europa, à medida que os bancos enfrentam requisitos regulamentares mais rígidos, também encontram maiores limitações para utilizar os seus balanços. Segundo a consultora, essa situação poderá reduzir a capacidade das instituições para conceder crédito a empresas e famílias.
Por outro lado, os bancos norte-americanos poderão beneficiar de uma maior capacidade para crescer e aumentar a rentabilidade. Consequentemente, poderão ganhar quota de mercado em atividades intensivas em balanço, como o financiamento empresarial e os mercados de capitais, devido a uma abordagem regulamentar mais flexível.
A Alvarez & Marsal estima ainda que a rentabilidade sobre o capital tangível (ROTCE) dos grandes bancos norte-americanos possa aumentar 6% até ao final de 2027.
Segundo a consultora, caso a Europa e os Estados Unidos mantenham as atuais tendências regulamentares, o fosso competitivo entre os respetivos sistemas bancários poderá continuar a aumentar nos próximos anos, com consequências para a capacidade de financiamento da economia europeia.
Fonte: Jornal PT50
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