A easyJet quer emitir menos sem mudar os aviões: a companhia está a usar tecnologia para garantir que cada aeronave leva o combustível de que realmente precisa.
Pode parecer um detalhe, mas a quantidade de combustível que um avião leva a bordo pode fazer diferença no consumo e nas emissões de um voo. É precisamente neste processo, muitas vezes invisível para quem viaja, que a easyJet está a introduzir uma mudança.
A companhia aérea britânica vai implementar uma nova plataforma digital para gerir o abastecimento dos seus aviões. O objetivo é simples: garantir que cada aeronave leva o combustível de que realmente precisa, evitando abastecimentos desnecessários e o peso extra que estes representam.
A easyJet estima que a medida poderá evitar a emissão de cerca de 10.000 toneladas de CO₂ por ano.
Menos papel, menos erros e combustível mais bem calculado
A nova tecnologia chama-se eHandshake e foi desenvolvida pelo i6 Group. A plataforma está a ser integrada no sistema que os pilotos da easyJet já utilizam, o ETechlog.
Até agora, parte do processo de abastecimento dependia de documentos em papel e da introdução manual de informação. Com o novo sistema, os pedidos passam a ser feitos e validados digitalmente.
Isto significa que o piloto pode indicar eletronicamente quanto combustível é necessário, o fornecedor recebe essa informação e, depois do abastecimento, a quantidade entregue é registada e confirmada no mesmo sistema.
Parece uma alteração pequena, mas permite criar um registo digital de todo o percurso do combustível: o que foi planeado, o que foi pedido, o que foi entregue e o que acabou por ser aceite pela tripulação.
A easyJet estima ainda que a digitalização deste processo permitirá poupar cerca de 600.000 folhas de papel por ano.
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Porque é que levar combustível a mais pode ser um problema?
Aqui está a parte mais interessante. O combustível é pesado. E quanto mais peso um avião transporta, mais energia precisa para se manter no ar e deslocar-se.
Isto cria uma espécie de efeito bola de neve: se um avião levar mais combustível do que aquele que realmente necessita, está a transportar peso adicional durante o voo. Para transportar esse peso, precisa de gastar mais combustível.
É por isso que as companhias aéreas fazem cálculos muito precisos antes de cada voo. Naturalmente, existe sempre uma margem de segurança obrigatória e necessária — a ideia não é simplesmente levar menos combustível, mas evitar excessos desnecessários dentro dos limites operacionais e de segurança.
É aqui que a easyJet acredita que a digitalização pode ajudar. A plataforma fornece aos pilotos e às equipes de terra informações mais precisas e atualizadas, permitindo que tomem decisões melhores sobre o abastecimento e reduzam o uso desnecessário de combustível.
Um único sistema para pilotos, fornecedores e equipas de terra
Outra vantagem está na comunicação.Em vez de diferentes intervenientes trabalharem com documentos ou informação introduzida manualmente, o eHandshake cria uma espécie de fonte única de informação.
O piloto faz o pedido digitalmente. O fornecedor recebe os dados. O abastecimento é registado. E o piloto confirma aquilo que foi efetivamente entregue. Toda esta informação fica depois armazenada, criando um histórico digital de cada abastecimento.
Além de facilitar o trabalho das equipas, isto pode ajudar a identificar erros, verificar faturas e perceber onde existem oportunidades para tornar a operação mais eficiente.
A tecnologia também pode ajudar a evitar atrasos
Há ainda uma consequência prática para quem viaja de avião. Ao receber antecipadamente um pedido de combustível mais preciso, o fornecedor pode preparar o abastecimento antes da chegada da aeronave à posição de estacionamento.
A easyJet acredita que este processo poderá contribuir para reduzir atrasos e tornar as operações em terra mais rápidas e previsíveis.
Não significa que um sistema digital vá, por si só, eliminar os atrasos nos aeroportos. Mas numa operação em que cada minuto conta, pequenas melhorias em várias etapas podem fazer diferença.
Chegará a quase toda a rede da easyJet
A implementação está a ser feita de forma faseada. A primeira etapa abrange aproximadamente metade da rede da companhia aérea, com o objetivo de levar a tecnologia a cerca de 90% dos destinos da easyJet nos próximos três anos.
A companhia considera este tipo de melhoria operacional uma peça importante da sua estratégia para reduzir as emissões. A easyJet mantém, de resto, o objetivo de reduzir em 35% a intensidade das suas emissões de carbono até 2035.
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Não é um avião novo. É uma forma mais inteligente de o operar
A grande particularidade desta iniciativa é que não envolve uma nova aeronave, um novo motor ou uma tecnologia revolucionária de propulsão. É, na realidade, uma mudança muito mais simples: usar melhor os dados para evitar desperdícios numa operação que envolve milhares de abastecimentos.
Um avião pode gastar milhares de litros de combustível em um voo, por isso, pequenas melhorias no planejamento e na gestão desse recurso podem gerar impactos significativos quando aplicadas em toda a rede.
É por isso que a estimativa de 10.000 toneladas de CO₂ poupadas por ano merece atenção. A aviação continua a enfrentar um enorme desafio para reduzir as suas emissões. Enquanto novas tecnologias de propulsão e combustíveis mais sustentáveis ainda estão a ganhar escala, medidas como esta procuram atacar um problema mais imediato: não gastar energia onde ela não é necessária.
Fonte: Away.iol



