Sernancelhe apela à população para rejeitar projeto de painéis solares no rio

Sernancelhe apela à população para rejeitar projeto de painéis solares no rio

O presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe reforçou hoje a “rejeição total” ao projeto de painéis sobre o rio Távora e apelou à população para também se manifestar na consulta pública que está a decorrer.

“Somos manifestamente contra este projeto. Rejeitamos na totalidade e de forma inequívoca, como fizemos já, a ser instalado na 2024, o avanço deste projeto de painéis fotovoltaicos no nosso rio [Távora] e na barragem de Vilar Tabuaço”, afirmou à agência Lusa Carlos Santos.

O presidente social-democrata de Sernancelhe, no distrito de Viseu, disse ainda que a autarquia está a lançar uma campanha junto da população e nas redes sociais. A iniciativa divulga o link da consulta pública para incentivar os cidadãos a manifestarem-se também contra o projeto.

“Vamos envolver toda a população de Sernancelhe para, em uníssono, travarmos este projeto”, assegurou.

Em causa está o projeto solar fotovoltaico flutuante e híbrido eólico de Vilar-Tabuaço. A consulta pública já começou e termina a 23 de novembro, segundo uma publicação em Diário da República.

O projeto prevê a instalação de 30.744 painéis fotovoltaicos bifaciais na albufeira de Vilar, em Sernancelhe. Os painéis serão agrupados em módulos energéticos e instalados sobre estruturas flutuantes. Quando interligadas, estas estruturas formarão ilhas fotovoltaicas, ocupando uma área total de 12 hectares sobre o rio.

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Sernancelhe apela à população para rejeitar projeto de painéis solares no rio

Segundo o autarca, o projeto previa quatro ilhas em 2024, mas a versão atual prevê apenas duas. A alteração ocorreu após todos os autarcas dos municípios abrangidos pela bacia hidrográfica, incluindo Moimenta da Beira e Tabuaço, rejeitarem a proposta inicial.

“Diminuiu o número de ilhas, mas o número de painéis é o mesmo, ou seja, querem instalar painéis na nossa água e nós rejeitamos, por tudo o que de prejudicial isso indica que em termos ambientais e de ecossistema, quer sociais e de turismo”, apontou.

Carlos Santos lembrou que os meios aéreos utilizam aquela zona do rio no combate aos incêndios. Segundo ele, a instalação do projeto impediria essa utilização. O autarca destacou ainda a importância social e turística da albufeira, que oferece um espaço de lazer à população.

“Mas, mais grave ainda, é toda a alteração ambiental e do ecossistema hídrico que isso iria provocar. Sabemos que a parte aquática e a biodiversidade ficariam sombreadas e isso prejudicaria a vida do rio, tanto na flora como na fauna”, indicou.

O autarca sublinhou ainda que, “a juntar a isso, não há qualquer benefício para a população e, que houvesse, os riscos e os impactos ambientais são tão negativos que superam largamente qualquer ilusão de benefício apresentado pelos promotores”.

“No fundo, este investimento não traduz o interesse público da nossa comunidade”, vincou Carlos Santos.

O relatório de impacte ambiental do projeto apresenta os resultados da avaliação da água com base em parâmetros microbiológicos. Segundo o documento, a análise concluiu que “a qualidade da água nas estações identificadas — albufeira de Vilar — é considerada excelente”.

“O que reforça a nossa decisão”, salientou.

O presidente da Câmara de Sernancelhe acrescentou que, em 2024, a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro analisou o projeto e o rejeitou por unanimidade. Portanto, segundo o autarca, a CIM está de acordo com os municípios envolvidos.

O executivo municipal já enviou às entidades competentes, incluindo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), um parecer profundamente negativo sobre o projeto. Para isso, atuou em estreita articulação com os municípios vizinhos de Moimenta da Beira (PS) e Tabuaço (PSD).

Por fim, o documento apresenta argumentos que, segundo os municípios, demonstram os prejuízos para o ordenamento do território e os recursos hídricos. Também aponta possíveis impactos na ecologia, na paisagem e na economia.

Fonte: Agro Portal

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