Água para reutilização pode chegar aos 10% até 2030, admite ministra

Água para reutilização pode chegar aos 10% até 2030, admite ministra

Executivo admite metas para aumentar o uso de água reutilizada e reforço de investimentos em resposta à pressão agrícola e à maior frequência de fenómenos extremos, como secas e cheias.

O Governo pretende aumentar a reutilização de águas residuais tratadas em Portugal. Atualmente, o índice está em cerca de 2%. No entanto, a meta é alcançar 10% até 2030. Além disso, há uma projeção indicativa entre 15% e 20% até 2040.

A percentagem foi destacada pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, durante debate setorial no Parlamento. Na ocasião, ela respondeu ao deputado Pedro Vaz. O tema, inclusive, foi abordado no âmbito das propostas apresentadas pela bancada socialista.

“A água para reutilização precisa de investimento”, reiterava o deputado, ao falar não só da questão monetária, mas também jurídica. Pedro Vaz abordou diretamente a ministra: “O governo está disponível para rever este regime jurídico com o PS”?

Maria da Graça Carvalho defendeu a água como uma das áreas prioritárias da ação governativa, principalmente devido à necessidade de preparar o país para fenómenos extremos mais frequentes, como secas e cheias.

Além disso, a agricultura representa cerca de 70% do consumo total de água no país. O deputado socialista recordou que este peso torna o setor agrícola decisivo para qualquer avanço na reutilização, sendo apontado como o principal destinatário potencial da água tratada.

A reutilização de águas residuais tratadas é ideal para rega agrícola ou paisagística, lavagem de ruas, indústria e sistemas de refrigeração.

No plano territorial, o Governo garante a continuidade de investimentos no Alentejo. Além disso, inclui a execução de obras associadas à barragem do Pisão. Adicionalmente, admite a construção de novas barragens em zonas de maior vulnerabilidade hídrica.

Paralelamente, a estratégia contempla um programa de restauro de rios. Também prevê a digitalização dos ciclos da água. Com isso, o objetivo é melhorar o controlo, a eficiência e o planeamento dos recursos hídricos.

Outra dimensão destacada é a proteção costeira, sobretudo depois das tempestades que assolaram a região este ano. A ministra referiu a existência de 130 obras identificadas no litoral, das quais 86 deverão estar concluídas antes da próxima época balnear. O objetivo é reduzir o impacto da erosão costeira e reforçar a proteção de zonas habitadas.

A política de água integra-se, segundo o Governo, numa abordagem mais ampla de adaptação às alterações climáticas, que inclui também a gestão de cheias e a resiliência das infraestruturas. Nesse contexto, foi ainda anunciada a intensão de expandir a campanha “Safe Water” (que atua agora no Algarve) a nível nacional.

Fonte: Jornal PT Green


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