Com a Diretiva da União Europeia contra o marketing ambiental falso, ou greenwashing, as empresas passam a estar sujeitas a elevadas coimas em caso de incumprimento.
O embaixador do Pacto Climático Europeu, Diogo Abrantes da Silva, criou uma ferramenta digital que permite a gestores e empresários detetarem o que estão a fazer mal. E saberem como corrigir.
Um embaixador do Pacto Climático Europeu, Diogo Abrantes da Silva, e o projeto #Pub, voltado para uma comunicação mais transparente nas empresas, criaram uma ferramenta digital gratuita.
A solução apoia as pequenas e médias empresas (PME) em Portugal no cumprimento da nova diretiva da União Europeia. A norma obriga as empresas a serem transparentes quanto à sustentabilidade dos seus produtos. E impede o uso de alegações ambientais não comprovadas.
Com o site “diretivas.eu”, as empresas portuguesas podem verificar se as imagens ou páginas de produtos estão de acordo com as novas regras europeias.
A ferramenta também permite analisar a comunicação institucional e os rótulos. Além disso, esclarece os pontos mais técnicos e complexos do texto da diretiva.
A Comissão Europeia obriga os países da União a transporem a Diretiva 2024/825 para as leis nacionais a partir de 27 de março. A lei deverá entrar em prática até 27 de setembro.
Novo site para ajudar empresas a prevenir greenwashing
Qualquer empresa que utilize alegações ambientais não comprovadas poderá ter as suas peças publicitárias suspensas.
Também poderá receber coimas de dezenas ou centenas de milhares de euros por prática desleal.
“A Diretiva 2024/825 é muito positiva, porque reforça a proteção dos consumidores contra práticas comerciais desleais, especialmente o “greenwashing”, e melhora a informação sobre sustentabilidade, durabilidade e reparabilidade dos produtos”, afirma Diogo Abrantes da Silva, gestor de marketing para ONG, ativista ambiental e embaixador do Pacto Climático Europeu, citado em comunicado. “A diretiva cria, no entanto, muitos riscos às empresas que desconhecem as suas exigências, expondo-as, a partir de setembro, à vigilância e às sanções da ASAE ou de outras organizações regulatórias”.
Após analisar 286 empresas ligadas à ecologia e sustentabilidade, o Pacto Climático Europeu apurou que 42% das empresas pode estar em incumprimento da nova lei. Na categoria de lojas de e-commerce qualificadas como sustentável, 100% poderá estar em incumprimento.
A diretiva europeia impede que as empresas usem na sua comunicação, nos rótulos ou na publicidade alegações ambientais genéricas, vagas, sem provas ou impossíveis de verificar: as expressões “eco-friendly”, “verde”, “neutro em carbono”, “ecológico” ou “amigo da natureza” passarão a estar proibidas quando a Diretiva 2024/825 for transposta para a ordem jurídica portuguesa. A sua menção poderá passar a ser sancionada a partir de 27 de setembro.
Também as informações nos rótulos sobre sustentabilidade que não sejam baseadas em sistemas de certificação credíveis, tal como comparações ambientais enganosas entre produtos, estão proibidas. A diretiva proíbe igualmente estratégias que reduzam artificialmente a vida útil dos produtos, a omissão de informação relevante sobre a sua durabilidade e atualizações de software que degradem o desempenho.
O site “diretivas.eu” oferece ferramentas para ajudar as empresas a avaliar se os termos usados nas suas comunicações, rótulos ou publicidade estão a incorrer nas práticas desleais previstas pela diretiva. O site está organizado por secções. Entre os separadores, os utilizadores podem encontrar uma explicação detalhada sobre os pontos da diretiva que obrigam a alterar procedimentos e várias clarificações.
Fonte: Indústria e Ambiente
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