Reciclagem pode cortar para metade procura de lítio e níquel na UE

A União Europeia (UE) pode reduzir a necessidade de novos minérios para baterias, com a reciclagem a diminuir para metade as necessidades de lítio e níquel até 2040, indica um estudo divulgado esta segunda-feira.

O estudo “Decarbonising Road Transport Beyond Mining-Intensive Pathways” (“Descarbonizar o transporte rodoviário além de modelos baseados em mineração”) indica que é possível reduzir a necessidade de novos minérios e, ao mesmo tempo, acelerar a transição para um transporte rodoviário mais limpo e reforçar a autonomia estratégica europeia.

Só através da reciclagem é possível reduzir até 70% as necessidades de cobalto até 2040.

As conclusões levaram a que 40 organizações apelassem à UE para que atue com base no estudo, explica em comunicado a Sciaena, uma organização não governamental portuguesa de promoção de um ambiente marinho sustentável e que faz parte do grupo.

Além da reciclagem, o estudo identifica mais quatro áreas de intervenção nas políticas da UE para reduzir a necessidade de matérias-primas, sendo uma delas a opção por incentivos para veículos elétricos mais pequenos e acessíveis.

As organizações defendem que a UE deve também aproveitar a revisão das normas de emissões de dióxido de carbono e da Diretiva relativa à rotulagem dos automóveis para reforçar o peso da eficiência energética dos veículos nos critérios de decisão política.

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Reciclagem pode cortar para metade procura de lítio e níquel na UE

Deve ainda aproveitar o orçamento da UE para 2028-2034, a Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T) e os Planos de Mobilidade Urbana Sustentável para reforçar o investimento em transportes públicos acessíveis e mobilidade ativa.

Para as organizações, as políticas europeias devem também apoiar a mobilidade sustentável e medidas como o teletrabalho, levando a uma redução das deslocações desnecessárias.

Os subscritores do apelo à UE recordam que a Europa se prepara para tomar várias decisões que, dizem, irão moldar a abordagem às matérias-primas, aos transportes e à política industrial.

Portugal, diz o comunicado da Sciaena, tem alguns dos maiores recursos de lítio conhecidos da Europa, um deles em Covas do Barroso, onde a população se tem manifestado contra a mineração.

Catarina Abril, responsável de políticas de Pesca e Clima da Sciaena, citada no comunicado, diz que os protestos em Covas do Barroso mostram que a transição energética não pode ser feita à custa dos territórios e das comunidades locais.

“Uma transição energética verdadeiramente sustentável exige não só mudar a forma como nos movemos, mas também reduzir os recursos que consumimos e evitar que a descarbonização se torne um argumento para expandir a mineração em territórios ambientalmente valiosos”, acrescenta.

O estudo, “Decarbonising Road Transport Beyond Mining-Intensive Pathways”, foi realizado pela organização alemã Öko-Institut Consult gGmbH, a pedido de três associações ligadas à Coligação Europeia para as Matérias-Primas, que já tem mais de 60 organizações.

Fonte: Expresso.PT

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