A ideia é que o distrito de Setúbal tenha redundância no abastecimento, juntando a água de Castelo de Bode e do rio Tejo ao aquífero Tejo-Sado, a atual fonte de fornecimento. Crise de escassez de água no concelho de Almada serviu de lição.
A Margem Sul do rio Tejo vai ser abastecida com água vinda de Castelo de Bode ou do rio Tejo. Esta foi a solução encontrada pelo Governo para poupar o aquífero no distrito de Setúbal após a falta de água registada em Almada este ano.
“Foi hoje publicado um despacho em que solicito ao grupo Águas de Portugal e à APA a solução para reforçar a resiliência hídrica da Margem Sul do Tejo. Tem de ser reforçada, é preciso concretizar” para criar uma “complementaridade” face às “águas subterrâneas”, disse a ministra do Ambiente e da Energia no Parlamento esta quarta-feira, 9 de setembro, citando um estudo do professor Armando Lencastre dos anos 60. “Sei bem qual é a solução, tem de ser feita”.
Na sua apresentação, o Governo disse querer reforçar a “resiliência hídrica dos territórios localizados na margem sul do Tejo a partir de Castelo de Bode e/ou do rio Tejo”.
A ideia é ter “complementaridade face ao uso de águas subterrâneas (poupando o aquífero Tejo
Sado)”.
O grupo Águas de Portugal (AdP) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) têm de apresentar os “elementos requeridos” pela tutela no prazo de 120 dias.
Em julho, em plena crise de falta de água no concelho de Almada, a ministra do Ambiente já tinha adiantado que esta era uma hipótese.
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Margem Sul vai ser abastecida com água vinda de Castelo de Bode
Agora, a água captada em Castelo de Bode, no distrito de Santarém, já abastece Lisboa. Além disso, pode vir a ser uma hipótese para abastecer o concelho de Almada. A região tem sofrido, na última semana, com falta de água.
A ideia é garantir maior redundância no abastecimento do concelho.Para isso, Almada poderá integrar a água de Castelo de Bode ao aquífero do distrito de Setúbal, atual fonte de fornecimento.
Assim, a medida poderá reforçar a segurança do abastecimento de água em Almada.
“A EPAL irá estudar e vamos reunir com os municípios [do distrito de Setúbal] para saber também a opinião deles, porque isto pressupõe que eles se unam, pelo menos em alta [captação de água], e haja aqui uma gestão, por exemplo, da EPAL, para que haja uma transferência de água que vem de Castelo de Bode, que alimenta a margem norte do Tejo e que faça também a alimentação da margem sul. E aí ficam com duas alternativas, o aquífero e a água de Castelo de Bode”, disse Maria da Graça Carvalho em julho.
Por fim, o especialista Joaquim Poças Martins defende que o concelho de Almada deve ter mais fontes de abastecimento, além do aquífero Tejo-Sado.
“Para estar mais seguro é preciso ter uma segunda origem. Ou liga-se ao sistema das Águas de Portugal, como a Epal [com água vinda de Castelo de Bode] ou faz uma dessalinizadora. Isto tem solução. Não falta mar a Portugal”, defende o professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em declarações publicadas pelo JE em julho.
“A própria Lisboa vai, se calhar, amanhã pensar em ter uma dessalinizadora como tem Londres ou Barcelona. Porque a origem é ótima, que é Castelo de Bode e o Tejo, mas amanhã podem falhar. A água vem toda do mesmo lado [Ribatejo]. Seria mais seguro ter uma origem diferenciada, ou a norte ou a poente, mas aqui não há rios nem águas subterrâneas. Faria sentido analisar” esta central, defende, recordando que defendeu este projeto quando foi presidente da EPAL.
“As pessoas têm um nível de exigência absoluto, querem fiabilidade 100%. E isso consegue-se com duas origens”, sublinha, deixando os portugueses descansados: “Portugal não tem falta de água. Esta é uma situação pontual”, segundo o ex-secretário de Estado do Ambiente.
Fonte: Jornal Econômico
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