Os autores dizem que o ciclo da água no planeta se tornou mais imprevisível. Na Ásia e em África, mais de 80% das mortes são causadas pro desastres relacionados com a água.
O ano de 2025 foi dos piores das últimas décadas para os caudais dos rios. O armazenamento de água na superfície terrestre também está a diminuir, tendo havido uma perda generalizada nos glaciares pelo quarto ano consecutivo.
Ademais, o documento indica que a Ásia e a África são as regiões mais afetadas por desastres relacionados com a água. Essas regiões foram responsáveis por pelo menos metade de todos os eventos extremos relacionados à água. Também concentraram mais de 80% das mortes associadas nos últimos cinco anos.
Os autores do documento dizem que o ciclo da água no planeta se tornou mais errático e imprevisível. Além disso, o sistema oscila entre pouca água e água em excesso. O documento também aponta uma continuidade no declínio do armazenamento de água doce na Terra. Além disso, os rios no mundo tiveram, no ano passado, um dos anos mais secos das últimas três décadas.
Ademais, o documento faz uma avaliação científica de todo o ciclo da água no planeta. A análise considera as descargas dos rios, as águas subterrâneas, o armazenamento, a evapotranspiração, a neve e o gelo. Também avalia eventos de grande impacto.
LEIA TAMBÉM: Mais de 800 assinaturas contra central de biometano levam população de novo à Câmara de Alenquer
Menos água nos rios, nos lagos e nos glaciares, revela relatório da Organização Meteorológica Mundial
Partes desse ciclo, como a chuva e a humidade do solo, respondem rapidamente ao clima. Outras, como as águas subterrâneas e os glaciares, respondem de forma mais lenta.
Tradicionalmente, essas reservas atuam como uma “conta poupança”. Elas funcionam como um amortecedor para os anos de seca, explica a OMM em comunicado sobre o relatório. A entidade cita a secretária-geral, Celeste Saulo.
“Estamos a esgotar essa conta poupança. O armazenamento terrestre global de água tem apresentado uma tendência de queda desde 2014-2016 – um sinal persistente que dura uma década. Pelo quarto ano consecutivo, todas as principais regiões de glaciares da Terra perderam massa de gelo”, afirmou, acrescentando que com a água subterrânea se passa o mesmo, com quase dois terços dos poços monitorizados a perderem água em 2025.
O relatório especifica que o ano passado foi dos mais secos dos últimos 35 anos no caudal de muitos rios, que pelo sétimo ano consecutivo o número de bacias hidrográficas consideradas normais baixou, atingindo valores entre 34 e 38%, e que o armazenamento terrestre de água (lençol freático, lagos e rios, humidade do solo, vegetação, gelo e neve) está em declínio desde meados da década de 2010.
O ano passado foi também o quarto ano consecutivo com perda generalizada de glaciares em todas as regiões, “levando a riscos de curto prazo como enchentes e insegurança hídrica de longo prazo”.
Por fim, entre 2023 e 2025 houve uma perda de gelo equivalente a 1.400 gigatoneladas de água.
Fonte: Observador
LEIA TAMBÉM: Ministra do Ambiente rejeita acabar com sistema de depósito de embalagens Volta



