Paradigma Água Portugal

O paradigma da água em Portugal

Paradigma Água Portugal

Por: João Machado

Muito se fala da falta de água nos nossos dias.

Desde as alterações climáticas, aos consumos exagerados, aos desperdícios, aos fogos rurais, ao regadio, tudo serve para se criar um problema sem solução. E súbitamente aí virem os políticos iluminados, que tudo sabem e que para tudo encontram solução rápida, proibindo actividades económicas e reduzindo consumos humanos, penalizando a população e levando ao abandono de actividades e do território.

É preciso dizer a verdade aos portugueses:

Apesar de chover menos hoje, de ela ser mais irregular e por vezes mais intensa em determinados períodos de tempo, o que chove em Portugal actualmente é mais do que suficiente para fazer face a todas as actividades económicas e ao consumo humano, sem restrições algumas.

No nosso país só guardamos (represamos) da água que cai no nosso território continental menos de 10% do que chove durante um ano. Tudo o resto corre livremente pelos rios para o mar, tornando água doce, indispensável à vida e actividade humana, em água salgada armazenada nos oceanos. Que deste modo contribui para aumentar o nível de água do mar, pondo populações e territórios em risco.

O Alqueva, que levou mais de 30 anos a construir, é hoje o maior lago artificial da Europa, e é o exemplo vivo dos impactos positivos que traz ao território.

Às actividades económicas (desde a agricultura, ao turismo, à produção de energia hidroeléctrica não poluidora), ao ambiente (contribuindo para a biodiversidade e fixação de espécies, tanto animais como vegetais), à economia (contribuindo para as exportações e à substituição destas). Fixando populações, criando emprego, riqueza e não menos importante travando o avanço da desertificação no sul do país.

Portugal, através de novas barragens nos rios portugueses, de soluções científicas inovadoras como o “Projecto Tejo” aponta para o nosso maior rio, e de transvazes entre rios para abastecer as regiões em que chova menos e que por isso tenham falta de água, poderia (deveria) ser absolutamente auto-suficiente neste fundamental recurso natural.

Servindo as populações, a agricultura que poderia facilmente duplicar a área de regadio nacional, e outras actividades económicas como golfe que estamos a condicionar. Dessa forma, promovendo o emprego a fixação de populações em territórios hoje abandonados, e incrementando a actividade económica no nosso país.

Então porque é que não o fazemos?

Não o fazemos por falta de iniciativa política. Estes projectos são de longa implementação temporal e não rendem de imediato votos, a par disto tomar medidas restritivas dá a impressão de um governo preocupado e a agir rápidamente em face dos desafios que se colocam no momento. Apesar de sem nunca ir ao âmago do problema e de o resolver de vez.

Para além disso também se cria o enquadramento para a possibilidade de novos negócios (a dessalinização é um deles). Que criam novas clientelas e enriquecem quem gravita á volta da política.

Paradigma Água Portugal

Assim sendo, o plano nacional de regadios deveria estar terminado em 2023, financiado pelo BEI, e deveria acrescentar cerca de 100.000 ha ao regadio nacional. Recuperando regadios públicos obsoletos e construindo alguns novos. Está “obviamente” atrasado e não é público quando termina.

O plano de regadio 20/30 , anunciado pela actual ministra da agricultura, não se sabe onde anda, quando começa e muito menos se estará pronto em 2030.

A discussão sobre novas barragens e os transvazes dos rios do Norte para o Sul continua nos estudos entre gabinetes, com a oposição dos pseudo-ambientalistas, respaldados num retrógrado Ministério do Ambiente. Que defende o statusquo sem nunca se adaptarem aos novos desafios, enquanto a nossa água doce corre inexgoravelmente para o mar.

Somos um país adiado por falta de coragem política e, diga-se a verdade, por ausência de cobrança eleitoral por parte dos eleitores. Que na maioria dos casos votam nos partidos políticos não pela sua obra e cumprimento das promessas eleitorais, mas por um espírito arcaico clubístico. Que não é compreensível na defesa dos seus interesses e dos do País.

Em conclusão, não admira que não consigamos tomar a decisão sobre um novo aeroporto de Lisboa há mais de 50 anos.

Havendo eleições próximas exigia-se aos partidos políticos que apresentassem propostas para resolverem este problema de maneira definitiva e que promovesse o desenvolvimento sustentado do País.

Não tenho nenhuma esperança que isso aconteça, até porque a política em Portugal só se fixa na espuma dos dias, que são os temas que a comunicação social releva e não promove. Como se pode constatar pelo estado do País, na solução dos seus problemas.

E assim vamos “cantando e rindo”. Fingindo que somos um País do primeiro mundo e que temos um governo que defende os nossos interesses e o nosso desenvolvimento.

João Machado

João Machado – Ex- Presidente da CAP

Fonte: Agroportal

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