O presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, admitiu hoje que em 2025 os preços da água e saneamento não aumentaram por “opção política” do executivo de então, mas a oposição considera que a razão se chama “ano eleitoral”.
Na reunião de hoje, os participantes votaram uma proposta para aumentar os preços nos valores correspondentes a 2025 e 2026. Que no caso da água significariam uma subida de cerca de 7 por cento.
A proposta foi chumbada pelos sete vereadores da oposição. Tendo apenas votado a favor os três eleitos da coligação Juntos por Braga e da agora vereadora independente Catarina Miranda.
Mais tarde, e depois do alerta do presidente da Câmara de que os aumentos estão previstos no contrato de gestão delegada da empresa que gere a água e saneamento (Agere) e de quem os chumbou teria de assumir as suas responsabilidades.
O executivo anulou a votação e retirou a proposta, para votá-la novamente na próxima reunião.
“[Os vereadores que votaram contra] iam ter grandes problemas nos próximos anos, não tenho dúvida nenhuma, porque estavam a ir contra aquelas que eram as instruções de uma entidade reguladora para um setor público essencial como é a água e que, como devem imaginar, é altamente fiscalizado e altamente controlado por outras entidades, que são quem define os preços”, disse João Rodrigues aos jornalistas.
Em relação à decisão de não aumentar os preços em 2025. Rodrigues afirmou que os cidadãos devem dirigir a pergunta ao anterior presidente da câmara.
Ricardo Rio liderava o executivo anterior, e João Rodrigues exercia funções como vereador com pelouro.
“Tem de perguntar ao presidente da câmara anterior [os motivos do não aumento das tarifas], mas honestamente acho que não era para beneficiar. Não sei se algum de nós acha que era para me beneficiar eleitoralmente”, referiu.
Ricardo Rio assumiu publicamente que o seu candidato preferido para lhe suceder não era João Rodrigues, mas sim Olga Pereira, igualmente vereadora no mandato anterior.
O município detém 51% da Agere, e um consórcio de empresas privadas possui os restantes 49% do capital social.
O contrato de gestão delegada entre o município e a Agere, que define, designadamente, as tarifas, entrou em vigor em janeiro de 2025, mas os aumentos ficaram congelados até agora.
Para este ano, propõe-se um aumento que abranja 2025 e 2026.
A oposição afirma que o governo provavelmente congelou os valores em 2025 por causa das eleições autárquicas e critica que, em 2026, o governo precise aumentar os valores não apenas para o reajuste normal deste ano, mas também para recuperar o que deixou de ser corrigido no ano passado “por decisão política eleitoral”.
Fonte: Ominho
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