Portugal precisa de acelerar condições regulatórias e de mercado para captar investimento em biometano, num contexto de vulnerabilidade energética europeia agravada pelo conflito no Médio Oriente, segundo um estudo da associação do setor (EBA).
De acordo com o documento, que reúne os dados atualizados do setor referentes a 2025, o biometano é identificado como um eixo estratégico para a transição energética na Europa.
O investimento estimado é de cerca de 28 mil milhões de euros até 2030. Os aportes concentram-se sobretudo em Espanha, França e Itália.
A European Biogas Association aponta Espanha como líder ibérico na captação de capital. O país reúne aproximadamente 4,8 mil milhões de euros em investimento planeado.
Enquanto isso, Portugal é classificado como um mercado emergente, com elevado potencial.
O relatório refere a necessidade de transformar ambição em projetos financiáveis. Aponta como principais desafios a criação de modelos de receita previsíveis. Destaca também a necessidade de maior rapidez e clareza nos processos de licenciamento.
Além disso, menciona a importância de regras transparentes para ligação às redes. Por fim, ressalta o reforço dos sistemas de certificação e das garantias de origem.
Segundo a European Biogas Association, a produção europeia de biogás e biometano atingiu cerca de 232 terawatt-hora (TWh). Esse volume equivale a aproximadamente 22 mil milhões de metros cúbicos de gás.
O biometano se destaca por ser um gás renovável capaz de escalar rapidamente.
Este crescimento ganha relevância num contexto de instabilidade política e elevada volatilidade de preços, em que o conflito no Médio Oriente evidencia a vulnerabilidade energética da Europa, como lembra a associação da qual faz parte a Floene.
Portugal precisa de acelerar aposta no biometano, diz estudo
Atualmente, mais de metade dos combustíveis consumidos na Europa são importados, incluindo cerca de 90% do gás natural.
“Neste enquadramento, o biometano destaca-se como uma solução estratégica, visto ser produzido localmente, armazenável e compatível com as infraestruturas existentes, podendo substituir o gás de origem fóssil sem necessidade de alterações do lado do consumidor, seja ele residencial, industrial ou dos serviços”, lê-se no relatório.
O documento sublinha ainda que o biometano contribui para a segurança e soberania energéticas. Ele desempenha um papel complementar às restantes fontes renováveis.
Além disso, garante estabilidade e flexibilidade ao sistema energético. Isso ocorre sobretudo em períodos de menor produção solar, eólica ou hídrica.
De acordo com a EBA, o biometano pode responder a diferentes segmentos de consumo energético, nomeadamente transportes (cerca de 32%), setor residencial (aproximadamente 26%) e indústria (cerca de 25%).
No consumo doméstico, permite reduzir emissões sem necessidade de adaptação de equipamentos, enquanto na indústria pode substituir o gás utilizado em fornos e processos de alta temperatura, como nos setores do vidro e da cerâmica, destaca a EBA.
Nos transportes, o relatório destaca o papel do bio-CNG (gás comprimido) para frotas e logística regional. Também ressalta o uso do bio-LNG (gás liquefeito) para veículos pesados de longo curso e transporte marítimo.
Nesses casos, as baterias enfrentam limitações de autonomia e densidade energética.
“Adicionalmente, o digerido resultante da produção de biometano — utilizado como biofertilizante na agricultura – pode substituir uma parte muito substancial dos fertilizantes sintéticos importados por Portugal e pelos restantes Estados-membros da União Europeia”, acrescenta.
Num momento de transição no sistema energético europeu, o relatório conclui que Portugal poderá acompanhar esta dinâmica europeia caso crie “um quadro estável e previsível que permita atrair investimento e desenvolver projetos com escala”.
Fonte: Notícia são Minuto



