A prioridade da Tejo Ambiente é “consolidar a qualidade e a fiabilidade do serviço, reduzir perdas de água e garantir que todos os cidadãos tenham acesso seguro a saneamento e abastecimento de água”.
Planejamento e investimentos para 2026
A Tejo Ambiente indicou esta quinta-feira que prevê para 2026 investimentos de 16 milhões de euros, focados na modernização de infraestruturas, eficiência hídrica e sustentabilidade ambiental, destacando “atenção à qualidade do serviço” e “gestão tarifária equilibrada” aos utilizadores.
“O orçamento global da Tejo Ambiente para 2026 é de 27 milhões de euros (ME), dos quais cerca de 16 milhões de euros serão aplicados em investimentos estratégicos em infraestruturas, eficiência hídrica e sustentabilidade ambiental”, disse à agência Lusa o presidente do Conselho de Administração da empresa intermunicipal, Tiago Carrão, que também preside ao município de Tomar.
Segundo Tiago Carrão, a prioridade é clara. Consolidar a qualidade e a fiabilidade do serviço. Além disso, reduzir as perdas de água. E, ainda, garantir que todos os cidadãos tenham acesso seguro ao saneamento e ao abastecimento de água.
As ações abrangem seis municípios da área de influência. São eles: Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha. Todos estão localizados no distrito de Santarém.
Investimentos e desafios da Tejo Ambiente
O subsistema da Mendacha, em Tomar, configura um dos principais desafios e é considerado estratégico. A rede de abastecimento soma 253 quilômetros de condutas antigas. Além disso, apresenta obstruções por calcário. Por isso, exige uma substituição integral, avaliada em cerca de 20 milhões de euros. No entanto, o investimento ainda não tem financiamento assegurado. Ainda assim, a intervenção é essencial para garantir a continuidade do serviço.
A Tejo Ambiente pretende também ampliar a cobertura do saneamento de águas residuais domésticas, construindo novas redes e reduzindo afluências indevidas provocadas por águas pluviais em ETAR e emissários.
Em Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha, os investimentos priorizarão renovação de redes antigas e melhoria da eficiência operacional, equilibrando necessidades locais com escala intermunicipal.
No setor dos resíduos urbanos, a empresa pretende continuar a implementar o Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PAPERSU 2030), intensificando campanhas de sensibilização, distribuindo compostores residenciais e mais de 2.000 caixotes para recolha porta-a-porta de biorresíduos.
Carrão destacou ainda os resultados obtidos até agora: “a percentagem de água não faturada baixou de 51,6% para 36% (…) e mais de 23.700 contadores foram substituídos, reduzindo a idade média de 20 para 12 anos”.
A telegestão e setorização das redes permitem “detetar e corrigir avarias rapidamente, aumentando a fiabilidade do serviço”, notou o responsável.
“Desde a criação da Tejo Ambiente, em 2019, investimos cerca de 39 milhões de euros, melhorando a cobertura de saneamento, reduzindo avarias e elevando a qualidade da água fornecida a 99,9% de conformidade legal”, acrescentou Carrão.
A agregação dos serviços nos seis municípios permitiu ainda “poupar cerca de um milhão de euros em custos operacionais”, comparando com a gestão anterior individual.
Tarifas e metas futuras
Questionado sobre tarifas e uma eventual redução para as famílias, Carrão explicou a situação. Ele afirmou que a Tejo Ambiente não é responsável pela definição de tarifas sociais. Essa atribuição cabe a cada município.
Além disso, destacou que uma diminuição, neste momento, está fora de causa. Segundo ele, o serviço precisa ser pago. E a dívida contraída para viabilizar os investimentos terá de ser liquidada.
O responsável destacou também a preparação da empresa para os impactos das alterações climáticas, incluindo secas prolongadas e eventos extremos, através de planos de contingência e estratégias de resiliência para proteger a população e as infraestruturas.
A médio prazo, até 2030, a Tejo Ambiente ambiciona alcançar universalidade dos serviços, transparência, eficiência ambiental e económica, e promoção da solidariedade social, alinhando-se com objetivos estratégicos nacionais para água, saneamento e resíduos urbanos.
Por fim, criada em 2019, a Tejo Ambiente — Empresa Intermunicipal de Ambiente do Médio Tejo — assegura a gestão dos serviços públicos de abastecimento de água, saneamento de águas residuais domésticas e resíduos sólidos urbanos em seis concelhos, servindo cerca de 106 mil habitantes.
Fonte: Observador



