Empresa quer pesquisar volfrâmio nos concelhos de Sabrosa e Vila Real

Empresa quer pesquisar volfrâmio nos concelhos de Sabrosa e Vila Real

A empresa Minerália está a promover sessões públicas em Vila Real e Sabrosa. Nessas sessões, apresenta o projeto Vila Verde.

O projeto prevê a prospeção de tungsténio e outros minerais. A área abrange cerca de 13 quilómetros quadrados. Entretanto, as preocupações locais centram-se nos impactos ambientais. E também na atividade agrícola.

A empresa Minerália está a realizar sessões de esclarecimento em freguesias de Vila Real e Sabrosa sobre o projeto Vila Verde que visa a prospeção de minerais, principalmente tungsténio (volfrâmio), e avaliar a viabilidade de uma futura exploração.

A área de estudo de depósitos minerais de tungsténio, estanho, prata e chumbo é de cerca de 13 quilómetros quadrados.

Além disso, encontra-se dividida em dois blocos (A e B), incluindo zonas das freguesias de Justes e Lamares, em Vila Real, e de São Lourenço de Ribapinhão, Souto Maior e Sabrosa, neste concelho.

Uma das sessões de esclarecimento decorreu segunda-feira, em Justes, onde os participantes revelaram preocupações com os impactes na agricultura, linhas de água, na fauna e na flora, bem como na rede viária.

O presidente da União de Freguesias de São Tomé do Castelo e Justes, José António Vaz, garantiu que vai estar atento ao desenrolar do projeto. Além disso, apontou como principal preocupação a “parte ambiental”. E, por fim, assegurou que estará sempre do lado da população.

Disse ainda esperar que os impactes, nomeadamente nos caminhos, com a passagem de maquinaria e veículos pesados, possam ser minimizados, tal como os ruídos provocados pelos trabalhos no terreno nesta freguesia ligado à agropecuária.

Os trabalhos vão decorrer principalmente nas freguesias do concelho de Sabrosa, onde decorrerão sessões de esclarecimento durante a semana. Na quarta-feira será em São Lourenço de Ribapinhão e quinta-feira em Souto Maior. Contactada pela agência Lusa, a Câmara de Sabrosa salientou que vai acompanhar atentamente o desenrolar dos trabalhos no terreno.

O pedido foi apresentado pela empresa Minerália – Minas, Geotecnia e Construções, Lda, na sequência de trabalhos anteriores de prospeção e pesquisa realizados na mesma área.

Na sessão de esclarecimentos em Justes, os representantes da empresa explicaram que a fase de prospeção poderá prolongar-se até dois anos, tendo que ser reportado trabalho à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) no prazo de um ano.

Empresa quer pesquisar volfrâmio nos concelhos de Sabrosa e Vila Real

Nesta fase serão realizados furos de sondagens, só podendo entrar nos terrenos privados com autorização escrita por parte dos proprietários.

O objetivo destes trabalhos é avaliar a quantidade e qualidade do jazigo mineral e verificar a viabilidade de uma futura exploração industrial.

Algumas entidades, como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), deram um parecer favorável condicionado a esta fase do projeto.

A APA disse, no parecer, que as ações previstas no âmbito deste projeto consistem, essencialmente, na abertura de acessos, na preparação do terreno para execução de sanjas/trincheiras e de furos de sondagens. Além disso, refere que estas ações “não são suscetíveis de provocar um impacte significativo nos recursos hídricos”.

E explicou que a emissão de parecer favorável condicionado implica, entre outros, um respeito pela integridade dos leitos e das margens das linhas de água (rios Pinhão e Pequeno), não podendo pôr em causa a qualidade das águas superficiais e subterrâneas.

O parecer favorável condicionado do ICNF implica a apresentação de medidas de minimização ajustadas aos impactes identificados para a fauna. Além disso, essas medidas incidem especificamente no que respeita ao lobo ibérico.

E também ao abrigo de morcegos de importância nacional existente na antiga mina de Vale das Gatas.

A mina de Vale das Gatas, situada em São Lourenço de Ribapinhão, foi um importante couto mineiro de exploração de volfrâmio e estanho (1937 e 1986). A Minerália é a empresa que quer explorar tungsténio na Borralha, no concelho de Montalegre, propondo uma exploração subterrânea.

No início do ano, a APA emitiu parecer favorável à mina da Borralha. Contudo, esse parecer está condicionado à apresentação dos estudos e elementos. Além disso, exige o cumprimento das medidas e dos programas de monitorização.

A par disso, inclui condicionantes associadas à fase de construção e também à fase de exploração. O tungsténio (volfrâmio) é um material estratégico militar, usado em munições e equipamentos de defesa.

Fonte: Conta-la


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