Transformar o conhecimento científico produzido no mar em empresas, investimento e novos negócios é o objetivo da Rede Hub Azul. Com mais de 78 milhões de euros do PRR, a iniciativa pretende aproximar investigação, indústria e capital para acelerar essa transição.
Portugal tem ciência ligada ao mar. Tem universidades, centros de investigação, empresas, portos, infraestruturas e uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa. Mas há uma pergunta que continua a atravessar o ecossistema de inovação: porque é que tanto conhecimento produzido em laboratório ainda tem dificuldade em chegar ao mercado?
É essa distância entre investigação e negócio que a Rede Hub Azul Portugal quer encurtar.
Mais do que uma iniciativa dedicada à economia azul. A rede representa um investimento do PRR superior a 78 milhões de euros. E surge como uma tentativa de organizar, em uma lógica nacional, o ecossistema necessário para transformar ciência em inovação aplicada.
Além disso, conecta centros de investigação. Empresas. Investidores. E infraestruturas de teste.
Segundo Ruben Eiras, secretário-geral do Fórum Oceano, o problema não está na qualidade da investigação produzida em Portugal.
No entanto, está no percurso que começa depois da descoberta científica.
“O principal bloqueio não é a falta de ciência. Portugal tem ciência e talento. O bloqueio está muitas vezes na passagem entre o laboratório e o mercado”, afirma.
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Portugal quer transformar ciência do mar em negócio
Na economia do mar, acrescenta, esse bloqueio é ainda mais exigente, porque testar uma tecnologia oceânica “pode ser caro, demorado e tecnicamente complexo”.
Ao Negócios, o especialista explicou que uma solução para aquacultura, robótica submarina, biotecnologia azul, monitorização ambiental ou energia offshore dificilmente chega ao mercado sem testes em contexto real, acesso a dados, certificação, parceiros industriais e enquadramento regulatório.
É esse conjunto de condições que, muitas vezes, falta às equipas científicas ou às startups numa fase inicial de desenvolvimento.
“A investigação responde a uma pergunta científica; uma empresa tem de responder a uma necessidade de mercado, com clientes, receita, equipa, propriedade intelectual protegida, financiamento e capacidade de execução”, resume Ruben Eiras.
A Rede Hub Azul pretende funcionar precisamente como essa ponte estruturada entre os dois mundos. A iniciativa integra seis hubs de inovação – Leixões 1, Leixões 2, Aveiro, Peniche, Oeiras Mar e Olhão –, aos quais se soma a Hub Azul School.
Ruben Eiras chama-lhe uma “fábrica em rede”, mas faz questão de afastar a ideia de uma fábrica física, fechada num único espaço.
“Estamos a falar de uma capacidade distribuída pelo país para transformar conhecimento científico, tecnologias, patentes e desafios empresariais em novos produtos, serviços, pilotos e empresas”, explica.
É uma “fábrica” porque pretende produzir inovação aplicável e é “em rede” porque essa produção resulta da cooperação entre competências que já existem no território, mas que precisam de estar mais bem ligadas para ganhar escala.
Fonte: Portugal Global
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