Península de Setúbal tem bastante água

Península de Setúbal tem “bastante água” mas precisa de criar redundância na captação em alta, avisa Comunidade Intermunicipal

Frederico Rosa, autarca do Barreiro, considera importante “criar as redundâncias necessárias na captação em alta”, na distribuição e no armazenamento, para um sistema regional resiliente.

O presidente da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIM-PS) disse esta segunda-feira ter recebido com “surpresa e espanto” a possibilidade de se recorrer à barragem de Castelo de Bode para abastecimento da Margem Sul.

Além disso, salientou que a zona tem “bastante água”.

Em declarações à agência Lusa, Frederico Rosa explicou que os nove municípios que compõem a CIM — Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal — já têm um pensamento estruturado sobre a matéria.

Defendem a criação, no território, de um sistema de captação em alta, distribuição e armazenamento. O objetivo é garantir que exista redundância.

“Ouvi com surpresa e espanto esta solução [de Castelo de Bode] porque a Península de Setúbal tem bastante água. O que é importante é criar as redundâncias necessárias na captação em alta, na distribuição e no armazenamento, para que depois os concelhos não estejam só dependentes da sua própria captação. Isto é criar um sistema resiliente ao nível de uma região”, explicou o presidente da CIM da Península de Setúbal e presidente da Câmara Municipal do Barreiro.

A Península de Setúbal assenta sobre o sistema aquífero Tejo-Sado, um grande e importante complexo de águas subterrâneas, frequentemente citado como parte do grande sistema sedimentar da Bacia do Tejo.

“Temos é que ter capacidade, com a água toda que existe na nossa península, em alguns municípios mais do que noutros, de poder criar um sistema conjunto, de abastecimento conjunto. Se tivermos um sistema interconectado, rapidamente podemos fazer o abastecimento”, frisou.

Na quarta-feira, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, anunciou que o Governo quer ter, dentro de quatro meses, uma solução para a falta de água na denominada Margem Sul. A proposta parte da Barragem de Castelo de Bode e/ou do rio Tejo.

Maria da Graça Carvalho falava numa audição na comissão de Ambiente da Assembleia da República. Na ocasião, disse que a solução técnica será complementar ao uso de águas subterrâneas.

Além disso, acrescentou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Grupo ÁdP (Águas de Portugal) foram incumbidos de apresentar um projeto no prazo de 120 dias.

Nas declarações à Lusa, Frederico Rosa insistiu ser necessário investir nesta área. Recordou que todos os municípios da Península de Setúbal já o reclamam há algum tempo.

Península de Setúbal tem “bastante água” mas precisa de criar redundância na captação em alta, avisa Comunidade Intermunicipal

A necessidade não se limita ao abastecimento em alta. Também envolve o armazenamento e a requalificação de redes em baixa. Muitas delas têm várias décadas de existência.

“É fundamental que se pense nesta questão da água, nas redundâncias e em grande escala. Nós na região temos um pensamento já muito consolidado sobre isso e vejo, de forma positiva, o facto de a ministra se ter interessado pela resolução do problema”, disse.

O concelho de Almada, um dos municípios da Península de Setúbal, viveu recentemente uma crise no abastecimento de água. A situação levou a decretar o estado de alerta municipal.

No despacho publicado na quarta-feira, o Ministério do Ambiente determina a apresentação de um projeto por parte da APA e da Águas de Portugal.

Além disso, refere que, nos territórios localizados na margem sul do rio Tejo, o abastecimento de água para consumo humano assenta, em grande medida, na exploração do sistema aquífero Tejo-Sado.

Trata-se de uma das mais importantes reservas estratégicas de água subterrânea do país.

Contudo, adianta:

“A elevada dependência de uma única origem constitui um fator de vulnerabilidade estratégica, expondo a região a riscos acrescidos em situações de escassez, degradação da qualidade da água ou constrangimentos operacionais, com potenciais implicações para a segurança hídrica, a resiliência territorial e a autonomia estratégica nacional” tendo como barómetro os constrangimentos recentemente verificados no concelho de Almada.

Após o anúncio da ministra do Ambiente, a Câmara Municipal de Almada indicou que “vê com bons olhos” que o abastecimento de água seja feito através de Castelo de Bode, mas sublinhou a necessidade de o Governo autorizar o investimento necessário para levar a água até à Margem Sul.

Fonte: Observador

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