Lítio tribunal aceita providência cautelar e trava servidão para mina do Barroso

Lítio: tribunal aceita providência cautelar e trava servidão para mina do Barroso

Providência cautelar aceite pelo tribunal visa suspender efeitos da servidão e trabalhos em 228 hectares, contestados pela comunidade local.

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela aceitou a providência cautelar interposta para suspender a segunda servidão administrativa associada à mina do Barroso, em Boticas, e os trabalhos em curso no âmbito do projecto de exploração de lítio, segundo um documento a que a agência Lusa teve acesso.

No despacho de 29 de Maio, o tribunal admite a providência cautelar apresentada pela Assembleia de Compartes dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, contra o Ministério do Ambiente e da Energia, dando 10 dias para os interessados se pronunciarem.

A segunda servidão administrativa contestada foi atribuída à Savannah Resources, promotora da mina do Barroso. Permitindo-lhe aceder a terrenos privados e baldios, num total de 228 hectares em Covas do Barroso e Romaínho. Para a realização de trabalhos de sondagem e geotecnia para a exploração de lítio em Boticas, distrito de Vila Real.

Contactada pela Lusa, a Savannah Resources indicou que não tinha sido notificada pelo tribunal até às 16h00 desta segunda-feira. Em nota de imprensa, a empresa recusa “qualquer incumprimento da lei ou operação de trabalhos indevidos”, ao contrário “do que o grupo opositor pretende fazer crer com vários comunicados desde a semana passada”.

LEIA TAMBÉM: Arganil recebe unidade inovadora para tratamento sustentável de águas residuais

Assim:

“Os trabalhos de Geotecnia necessários para o desenvolvimento do Projecto Lítio do Barroso continuam a decorrer com naturalidade, à luz da servidão administrativa concedida pelo secretário de Estado da Energia”, acrescentou, justificando o esclarecimento com uma “antecipação à divulgação dos já habituais movimentos diversos de intimidação (no terreno e fora dele) do grupo opositor em Covas do Barroso”.

“Obrigada a parar os trabalhos”

Em comunicado divulgado na segunda-feira, dia 01 de Junho.  O Conselho Directivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso indica que a empresa Savannah está “obrigada a parar trabalhos devido a providência cautelar”.

“O Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela admitiu a providência cautelar [… que] visa assegurar a suspensão dos efeitos da servidão administrativa e dos trabalhos dela decorrentes até que seja apreciada a sua legalidade”, descreve.

Uma servidão administrativa é um encargo ou restrição imposto pelo Estado, refere o Diário da República, sobre uma propriedade privada com o objectivo de garantir a utilidade pública e a execução de serviços essenciais à comunidade. Não se trata de uma expropriação, uma vez que o proprietário mantém a posse e a titularidade do imóvel.

De acordo com os baldios, “a admissão da providência representa um passo importante na defesa dos direitos das populações locais e dos baldios afectados, demonstrando que a pretensão apresentada reúne os requisitos legais para ser apreciada pelo tribunal”.

“O Conselho Directivo dos Baldios considera que a imposição da servidão administrativa levanta sérias questões de legalidade, proporcionalidade e respeito pelos direitos das comunidades locais. Representa ainda uma perversão do interesse público e um atentado ambiental”, sublinham.

Num momento em que a comunidade “denuncia intervenções de desmatamento por parte da empresa que violam a Declaração de Impacto Ambiental, esta decisão reforça a necessidade de escrutínio independente sobre os actos administrativos que têm permitido a ocupação e afectação de terrenos comunitários e privados em Covas do Barroso”, sustentam.

LEIA TAMBÉM: Nasce no Sabugal primeiro projeto na plataforma Mercado Voluntário de Carbono português

Providência cautelar

A Comunidade Local dos Baldios de Covas do Barroso, em Boticas, avançou na quinta-feira com uma providência cautelar para suspender a segunda servidão administrativa associada à mina do Barroso. A medida foi publicada em Diário da República a 6 de maio e assinada pelo secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Paulo Gil Barroca.

Segundo a comunidade dos baldios, a providência cautelar pretende “impedir o avanço de uma servidão desproporcionada e mal fundamentada, que compromete gravemente os direitos dos compartes, os terrenos comunitários, os recursos hídricos, a biodiversidade e o modo de vida agro-silvopastoril de Covas do Barroso”.

Além disso, a entidade apontou para a “dimensão desproporcionada da nova servidão”. A medida prevê a ocupação de cerca de 217 hectares de zona baldia. Desse total, quase metade, ou 102,2 hectares, localiza-se fora da área de concessão do projeto. Nessa área, a Savannah Resources pretende instalar 51 plataformas de sondagem e 194 poços geotécnicos.

Anteriormente, o Ministério do Ambiente já havia autorizado uma primeira servidão em dezembro de 2024. Como consequência, proprietários de terrenos apresentaram uma providência cautelar. Dessa forma, a medida levou à suspensão dos trabalhos de prospeção durante 15 dias, em fevereiro de 2025.

Segundo fonte dos baldios, a acção principal relacionada com a primeira providência cautelar não prosseguiu, porque entretanto os trabalhos por parte da empresa terminaram.

O projecto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente, com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada em 2023. A empresa pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

Fonte: Público.PT

Conteúdos Relacionados

Água na albufeira do Lindoso com suspeitas de contaminação

Água na albufeira do Lindoso com suspeitas de contaminação

As águas da albufeira do Lindoso, em Ponte da Barca, podem estar contaminadas devido a efluentes provenientes de produções pecuárias industriais da Galiza. Na localidade galega de Entrimo, próxima da fronteira, o alcalde desaconselhou banhos e pesca naquele reservatório devido a “uma concentração elevada de clorofila-a de cianobactérias”.

Leia mais »
Águas do Douro e Paiva investe 600 mil euros na reabilitação do Reservatório de Lagoa

Águas do Douro e Paiva investe 600 mil euros na reabilitação do Reservatório de Lagoa

A empreitada inclui limpeza e reabilitação das estruturas existentes. Ademais, inclui a reparação das juntas de dilatação. Além disso, contempla a recuperação estrutural de elementos em betão armado. Também prevê a reparação de vãos e intervenções pontuais na cobertura do reservatório. A intervenção vai ainda eliminar perdas de água identificadas na avaliação técnica. Contribuindo, assim, para maior eficiência hídrica e otimização do desempenho global do sistema.

Leia mais »