proTEJO alerta para Tejo e Zêzere com caudais de uma ribeira

proTEJO alerta para Tejo e Zêzere com caudais de “uma ribeira”

O movimento proTEJO alertou esta sexta-feira que os rios Tejo e Zêzere apresentam caudais semelhantes aos de “uma ribeira”, denunciando incumprimentos da Convenção de Albufeira e impactos na agricultura, no turismo de natureza, na fauna e na flora.

“Esta semana foi particularmente evidente. O Tejo corre praticamente como uma ribeira e também o Zêzere, junto à zona de Constância, apresenta caudais muito reduzidos“, disse esta sexta-feira à Lusa o porta-voz do proTEJO — Movimento pelo Tejo, Paulo Constantino.

Em comunicado, o movimento ambientalista denunciou incumprimentos dos caudais mínimos previstos na Convenção de Albufeira. Além disso, alertou para os efeitos da reduzida disponibilidade de água nas atividades económicas e nos ecossistemas da bacia hidrográfica do Tejo. Em particular, na sub-região do Médio Tejo, entre Mação e Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém.

Segundo Paulo Constantino, o proTEJO tem recebido, nos últimos dias, diversos alertas e relatos de populações ribeirinhas preocupadas com o estado do rio. Os testemunhos descrevem um sentimento generalizado de “apreensão, indignação e revolta” perante os caudais observados. Além disso, os moradores manifestam preocupação com os impactos ambientais, sociais e económicos decorrentes da reduzida disponibilidade hídrica na região.

“Houve um grande armazenamento de água este inverno, quer na bacia espanhola quer na portuguesa, e mesmo assim o rio parece menos do que uma ribeira”, afirmou.

De acordo com os dados recolhidos pelo movimento através do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH). Desde o início do atual ano hidrológico, em 1 de setembro de 2025, registaram-se cinco dias de caudal zero. Além disso, foram contabilizados nove dias com valores inferiores a um hectómetro cúbico por dia. Este é o caudal mínimo definido na revisão da Convenção de Albufeira, acordada entre Portugal e Espanha em 2024.

“A maior parte desses dias ocorreu em maio e ainda agora em junho voltámos a ter incumprimentos”, indicou.

LEIA TAMBÉM: Fricção Científica: Em 2030, a IA deverá consumir 3% da eletricidade mundial e mais água do que aquela bebida pelo mundo inteiro

proTEJO alerta para Tejo e Zêzere com caudais de “uma ribeira”

O responsável associou a situação à gestão dos caudais pelas barragens hidroelétricas, sustentando que a água é libertada em função das necessidades de produção elétrica e não de critérios ambientais.

“Isto é tudo devido à gestão que as hidroelétricas fazem do caudal. Libertam quando o preço da eletricidade está mais elevado e fecham quando não precisam de produzir”, afirmou.

Segundo Paulo Constantino, os baixos caudais têm afetado agricultores do Médio Tejo, que em maio reportaram dificuldades no acesso à água para rega, mas também atividades ligadas ao turismo de natureza e à navegação turística.

“Há operadores que fazem passeios fluviais e que têm dificuldades em navegar por causa dos bancos de areia e dos caudais extremamente reduzidos”, referiu.

O dirigente ambientalista alertou ainda para os impactos nos ecossistemas ribeirinhos, defendendo a implementação urgente de regimes de caudais ecológicos em toda a bacia hidrográfica do Tejo.

“O que reivindicamos é o cumprimento imediato da Convenção de Albufeira e a implementação de verdadeiros caudais ecológicos no Tejo”, afirmou Paulo Constantino, defendendo medidas que garantam a proteção dos ecossistemas e das atividades económicas dependentes do rio.

Fonte: Observador

LEIA TAMBÉM: Projeto de hidrogénio verde da EDP e Galp em Sines obtém parecer favorável da Agência do Ambiente

Conteúdos Relacionados

Circularidade das baterias pode abrir nova cadeia de valor industrial na Europa

Circularidade das baterias pode abrir nova cadeia de valor industrial na Europa

A aceleração da reciclagem e da reutilização de baterias está a ganhar peso na resposta europeia à dependência de matérias-primas críticas. Num contexto em que a mobilidade elétrica e o armazenamento de energia aumentam a procura por baterias. A recuperação de materiais no fim de vida destes equipamentos começa a ser vista como uma dimensão industrial da transição energética.

Leia mais »