A Águas e Energia do Porto está a avançar com um plano de modernização das ETAR de Sobreiras e do Freixo. Para isso, realiza um investimento de 4,5 milhões de euros destinado a reforçar a eficiência operacional, aumentar a produção de energia renovável e acelerar a transição para a neutralidade carbónica.
Além disso, a estratégia, iniciada em 2022, antecipa as exigências da nova Diretiva Europeia das Águas Residuais Urbanas (DARU). Ao mesmo tempo, procura reduzir a exposição da empresa à volatilidade dos preços da energia e à instabilidade da rede elétrica.
Um dos principais focos do investimento passa pela otimização dos sistemas de mistura e arejamento biológico. Estes sistemas são responsáveis por uma parte significativa do consumo energético das ETAR. Nesse sentido, após a conclusão da substituição dos difusores e agitadores na ETAR de Sobreiras, a intervenção encontra-se agora em fase final na ETAR do Freixo.
Atualmente, decorrem os ensaios de performance para validação dos ganhos de eficiência na transferência de oxigénio. Além disso, os resultados obtidos permitirão confirmar os benefícios operacionais e energéticos esperados com a modernização dos equipamentos.
Em paralelo, a empresa lançou um concurso público para a instalação de sopradores de alta eficiência e implementação de uma nova filosofia de controlo operacional. O novo sistema permitirá ajustar, em tempo real, o funcionamento das infraestruturas às variações da carga poluente, reduzindo consumos energéticos desnecessários e aumentando a eficiência do tratamento.
A produção descentralizada de energia renovável, de origem fotovoltaica, constitui outro dos pilares da estratégia. A Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) instalada na ETAR de Sobreiras, concluída em 2025. Conta com uma potência de 387 kWp e permitiu evitar a importação de 451 MWh de eletricidade da rede num único ano. Reduzindo em cerca de 4% o consumo externo da infraestrutura.
Capacidade fotovoltaica
Já na ETAR do Freixo, a capacidade fotovoltaica deverá aumentar dos atuais 133 kWp para 635 kWp até ao final de 2026. O reforço permitirá assegurar que cerca de 20% da energia consumida nesta unidade tenha origem solar, contribuindo para o aumento da autossuficiência energética e para a redução da pegada carbónica.
A valorização do biogás surge como outra das apostas estratégicas da empresa municipal. Através de uma empreitada transversal na ETAR do Freixo, a empresa municipal prevê otimizar a recuperação e utilização do biogás produzido no processo de tratamento, reintegrando-o na cadeia produtiva através da geração local de energia térmica e elétrica.
Por fim, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027. O projeto poderá permitir que a infraestrutura atinja cerca de 60% de autossuficiência energética já no próximo ano. Os resultados da estratégia começaram já a refletir-se nos indicadores operacionais. No final de 2025, a empresa registou uma redução de 25,6% no consumo energético específico face aos valores de 2022, atingindo o melhor desempenho de sempre neste indicador.
“Esta trajetória representa a transição de um modelo de consumo passivo para um sistema produtivo de elevada eficiência energética, alinhado com os objetivos de descarbonização e sustentabilidade urbana definidos para a cidade do Porto”, salienta Catarina Araújo, vice-presidente da Câmara do Porto.
Fonte: Águas do Porto
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