Ciência portuguesa desenvolve soluções biotecnológicas para descontaminar solos e águas residuais

Ciência portuguesa desenvolve soluções biotecnológicas para descontaminar solos e águas residuais

Projetos BioElectroSoil e AStUTe apresentam resultados promissores no combate à poluição ambiental.

A crescente acumulação de poluentes persistentes e tóxicos no ambiente reforça a necessidade urgente de desenvolver soluções eficazes e sustentáveis para a sua remoção.

Na semana em que se assinala o Dia Mundial do Ambiente, dois projetos de investigação em curso no Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa (CBQF/ESB/UCP) destacam-se pelo desenvolvimento de novas abordagens biotecnológicas para a recuperação de solos contaminados e o tratamento de águas residuais.

Neste contexto, os projetos BioElectroSoil e AStUTe, desenvolvidos em parceria com o REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia), estão a desenvolver estratégias inovadoras.

Para isso, recorrem a microrganismos e a princípios da economia circular, como a reutilização de recursos e a redução de resíduos. Dessa forma, procuram enfrentar alguns dos desafios ambientais mais críticos da atualidade.

Por sua vez, o projeto BioElectroSoil aposta em sistemas bioeletroquímicos. Nesse sentido, utiliza microrganismos eletroativos para acelerar a degradação de poluentes persistentes presentes nos solos.

Entre esses compostos, destacam-se os compostos fenólicos e os PFAS, frequentemente designados como “químicos eternos”. Isso porque apresentam elevada persistência no ambiente.

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Ciência portuguesa desenvolve soluções biotecnológicas para descontaminar solos e águas residuais

Em paralelo, o projeto AStUTe pretende otimizar os processos de tratamento de águas residuais através de estratégias híbridas capazes de reduzir a libertação de micropoluentes para os ecossistemas aquáticos.

Além da remediação ambiental, ambos os projetos impulsionam também a valorização de resíduos agroindustriais e urbanos, convertendo subprodutos em materiais funcionais e soluções sustentáveis de tratamento. Esta abordagem promove princípios de economia circular e contribui para uma gestão mais eficiente dos recursos.

“Os resultados preliminares mostram que é possível acelerar a recuperação de ambientes contaminados através de estratégias microbianas para a remoção de poluentes,” sublinham as equipas de investigação envolvidas.

Para Catarina Amorim, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa:

“Estes projetos demonstram como a biotecnologia pode contribuir de forma concreta para responder aos desafios ambientais atuais, através de soluções sustentáveis que promovem simultaneamente a descontaminação, a valorização de resíduos e a regeneração dos ecossistemas.”

Por fim, as iniciativas estão alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, nomeadamente os ODS 6 (Água Potável e Saneamento), ODS 12 (Produção e Consumo Sustentáveis) e ODS 15 (Proteger a Vida Terrestre).

Fonte: AgroPortal

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